O rei Mohammed VI nomeou Fátima Ezzahra El Mansouri chefe de Governo do Marrocos nesta terça-feira (29), após a vitória do Partido Autenticidade e Modernidade (PAM) nas eleições parlamentares da semana passada. A nomeação, comunicada pelo gabinete real, é um evento sem precedentes no país.
El Mansouri recebeu do monarca a missão de formar o novo governo durante uma reunião no palácio real em Rabat. O PAM, de centro-direita e integrante da coalizão anterior, conquistou 97 das 395 cadeiras da Câmara dos Representantes. A eleição teve participação de 38%, a menor em quase 20 anos.
Sem maioria absoluta, a nova chefe de Governo precisará negociar com outros partidos para montar uma coalizão com duração de cinco anos. As principais decisões relacionadas a setores estratégicos, porém, continuam sob prerrogativa do rei.
Trajetória política
Advogada de 50 anos, El Mansouri ingressou no PAM em 2008, quando a legenda foi fundada por Fouad Ali El Himma, atual conselheiro do rei. Ele deixou o partido em 2011.
Em Marrakech, El Mansouri tornou-se, aos 33 anos, a primeira prefeita da cidade turística, em 2009. Ela permanece no cargo depois de obter um segundo mandato em 2021. Também foi ministra da Habitação no governo anterior de Aziz Akhanouch e eleita deputada nas eleições de 23 de setembro.
A votação ocorreu em meio à desconfiança em relação à classe política e à preocupação com o aumento do desemprego e das desigualdades, sobretudo entre os jovens. A falta de perspectivas para parte da juventude marroquina voltou ao debate após a chegada em massa de imigrantes à cidade autônoma espanhola de Ceuta, no final de julho.
Durante a campanha, o PAM prometeu crescimento médio anual de 5%, inflação de 2% para preservar o poder de compra e a criação de pelo menos um milhão de empregos durante o mandato.








