A disputa no Supremo Tribunal Federal sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Vorcaro ganhou, na avaliação de Andreazza, uma dimensão que pode impedir o exame da questão central: se há elementos para abrir uma investigação sobre o ministro.
O colunista afirma que Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Moraes atuam, cada um a seu modo, para ampliar o volume de informações a ser analisado pelo tribunal. Segundo essa avaliação, a sucessão de petições pede documentos sobre o caso Master que não estariam diretamente relacionados ao objeto definido por Edson Fachin.
A discussão encaminhada por Fachin é se os dados formalmente entregues aos ministros são suficientes para que Moraes seja investigado. Andreazza sustenta que o plenário já dispõe das provas reunidas por André Mendonça e encaminhadas ao relator.
Pedidos de documentos
Na análise do colunista, a inclusão de milhares de documentos poderia atrasar a apreciação do caso e abrir espaço para um pedido de vista. Ele também afirma que há uma busca por informações no celular de Vorcaro com o objetivo de obter elementos para constranger adversários dentro do tribunal.
Andreazza relaciona a controvérsia a mensagens nas quais Vorcaro teria discutido conteúdo judicial sigiloso com um ministro do Supremo e consultado se deveria deixar o país. O texto também menciona que estava vigente um contrato de R$ 3 milhões líquidos por mês entre Master e o escritório de advocacia da mulher do juiz.
A análise diferencia a avaliação sobre a abertura de investigação de um julgamento criminal. Para Andreazza, não se trata de decidir definitivamente uma ação penal contra um ministro, mas de verificar se existem indícios suficientes para formar um juízo de possibilidade e autorizar a apuração.
O colunista também afirma que a tese de Gonet sobre a nulidade do relatório da Polícia Federal citado no caso pode ser usada para evitar que o plenário examine o conteúdo das mensagens. Nesse cenário, a discussão sobre eventual suspeição de ministros passaria a integrar o conflito interno no Supremo.







