BRASÍLIA — A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação, encaminhada ao ministro André Mendonça, cita mensagens que indicariam o recebimento de uma garrafa de uísque oferecida pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao presidente.
Os advogados afirmam que o encontro entre Lula e Vorcaro ocorreu no Palácio do Planalto fora da agenda oficial e pedem a apuração de suspeitas de corrupção e advocacia administrativa. A defesa é coordenada, na parte criminal da campanha de Flávio, pelo advogado Tracy Reinaldet.
Uma das mensagens atribuídas ao advogado Walfrido Warde, que representou Vorcaro até o início deste ano, menciona um encontro com o presidente. No texto, Warde afirma: “Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço”. A mensagem teria sido enviada a Vorcaro em janeiro de 2025.
Argumentos apresentados
A defesa sustenta que o conteúdo da mensagem sugere que Lula recebeu o banqueiro no Palácio do Planalto e aceitou o presente enquanto Vorcaro tinha interesses relacionados ao Banco Master perante o governo federal. Os advogados também dizem que registros documentais apontam dez visitas de Warde ao Palácio do Planalto em 2023 e 2024.
Segundo a petição, as conversas indicariam que o advogado atuava para aproximar Vorcaro de integrantes do governo e tentava organizar um almoço com o chefe de gabinete do presidente.
Flávio Bolsonaro também é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso envolve um pedido de mais de R$ 134 milhões a Vorcaro, apresentado como financiamento para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Tramitação e resposta do Planalto
O pedido foi apresentado a André Mendonça, mas a tramitação dos processos relacionados à Operação Compliance Zero está suspensa. O ministro Edson Fachin requisitou o caso para analisar um relatório sobre diálogos que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. Uma decisão sobre a solicitação da defesa depende do desfecho dessa análise.
Em nota, a Presidência da República afirmou que Lula encontrou Vorcaro uma única vez, em 4 de dezembro de 2024. O banqueiro foi ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega, e a reunião não estava previamente agendada. Também participaram Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e atual presidente do Banco Central.
De acordo com a Presidência, Vorcaro disse sentir-se perseguido, e Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser avaliadas tecnicamente pelo Banco Central. O Planalto negou que o presidente tenha recebido presente, enviado recado ou comentado festas promovidas pelo banqueiro.
A nota também destacou que, durante o atual governo, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e a Polícia Federal prendeu Vorcaro no âmbito das investigações sobre a instituição.







