O Congresso Nacional é a instituição que mais desperta desconfiança entre os brasileiros, segundo pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira, 22. O levantamento mostra que 81% dos entrevistados não confiam no Legislativo federal.
O índice era de 57% no início da série histórica, em janeiro de 2023, chegou a 86% em março deste ano e agora está em 81%. No mesmo período, a parcela dos que afirmavam confiar no Congresso caiu de 24% para 8%.
A pesquisa avaliou a percepção da população sobre 13 instituições. O Supremo Tribunal Federal (STF) aparece em seguida entre as instituições que mais geram desconfiança: cerca de seis em cada 10 entrevistados disseram não confiar na Corte.
Investigação e confiança nas instituições
Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, associou a piora na percepção sobre o Congresso às investigações que atingiram parlamentares, incluindo apurações sobre a destinação de emendas e sobre o envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Sanches, existe a percepção de que congressistas priorizam interesses corporativos em detrimento de pautas de interesse da população.
Na avaliação do analista, a desconfiança no STF está ligada às revelações sobre o envolvimento de ministros da Corte com Vorcaro. “A desconfiança no STF permanece no nível crítico atingido em março deste ano”, afirmou.
Sanches disse que a baixa confiança no Congresso e no STF cria espaço para candidaturas com discurso antissistema e propostas de mudança na atuação da Corte. Também pode aumentar a atenção do eleitor à eleição para o Senado, que, segundo ele, ganha importância na disputa de poder entre as forças políticas em Brasília.
As polícias civil, federal e militar lideram entre as instituições com maior confiança, com 60%, 58% e 56%, respectivamente. A avaliação positiva da Polícia Federal chama atenção, segundo Sanches, porque Andrei Rodrigues, chefe da corporação, foi citado em uma conversa entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Após a divulgação do episódio, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues. Flávio Dino reintegrou o chefe da PF, e Edson Fachin suspendeu as duas decisões.
A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros por recrutamento digital aleatório, pela internet, entre 17 e 21 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.







