RIO DE JANEIRO — A decisão do presidente Lula de editar uma medida provisória para tornar ilegais as apostas online provocou respostas distintas entre candidatos aos governos estaduais. Parte deles incorporou a proibição à campanha; outros apoiaram o objetivo, mas questionaram o momento ou a forma da iniciativa.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) afirmou que pretende extinguir a Loterj, a Loteria do Estado do Rio de Janeiro. Ele criticou a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), que credenciou plataformas de apostas esportivas por meio da companhia pública, e disse que a empresa foi usada para favorecer o grupo político representado por Douglas Ruas (PL), candidato ao governo.
Paes também acusou a administração anterior de transformar o estado em uma rota para plataformas que buscavam escapar da regulamentação federal. Ruas, presidente da Alerj, não havia se manifestado sobre o tema.
Apoio com ressalvas
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) reuniu-se na segunda-feira (28) com a Federação Pernambucana de Futebol e representantes dos clubes. Ela anunciou um grupo de trabalho e propôs uma linha específica de apoio financeiro às equipes. “O futebol pernambucano é maior que as bets, e o Governo de Pernambuco vai ajudar os clubes”, afirmou.
João Campos (PSB), adversário de Raquel, também se declarou contrário às apostas e a qualquer tipo de jogo de azar. Durante ato com Lula no Recife, segurou um cartaz com a frase “fim das bets”. Quando era prefeito do Recife, em maio de 2025, havia reduzido de 5% para 2% a alíquota do ISS para casas de apostas online. Ele classificou a mudança como uma adequação obrigatória à legislação do país.
No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) apoiou a proibição, mas defendeu regras de transição e criticou a condução do tema pelo governo Lula. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues celebrou a medida e associou as apostas a dificuldades financeiras das famílias. No primeiro semestre, ele havia encaminhado à Assembleia Legislativa uma proposta para criar a Loteba, uma loteria estadual, mas retirou o projeto da tramitação.
Candidatos que levaram o tema à campanha
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) não tem citado as apostas na campanha, embora acumule críticas às modalidades virtuais. Patrus Ananias (PT), seu adversário, comemorou a decisão e definiu a proibição como um novo começo para famílias brasileiras.
No Paraná, Requião Filho (PDT) foi o único dos candidatos mencionados a incluir o assunto na campanha. Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) não abordaram o tema em seus materiais eleitorais, mas haviam se declarado contra as bets em agosto.
No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) disse ser contrário às apostas, mas classificou a medida provisória como um ato de desespero eleitoral. Para ele, a iniciativa pode gerar insegurança jurídica sem resolver definitivamente o problema. Zucco também afirmou que o texto pode caducar em quatro meses.
Juliana Brizola (PDT) publicou um vídeo em defesa da medida, enquanto Marcelo Maranata (PSDB) incluiu as apostas em sua campanha ao relacioná-las ao endividamento das famílias e ao comprometimento da renda doméstica.








