São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Campanhas miram eleitorado facultativo e jovens indecisos na disputa presidencial

PT e PL ajustam estratégias para mobilizar eleitores jovens e idosos, grupos que podem decidir a votação apesar da abstenção prevista.

Campanhas miram eleitorado facultativo e jovens indecisos na disputa presidencial
Foto: Tomaz Silva/ABr

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passa por eleitores que podem escolher não comparecer às urnas. O voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos e para jovens de 16 e 17 anos, enquanto parte dos eleitores mais velhos e dos adultos jovens ainda não decidiu se apoiará algum candidato à Presidência.

Entre os brasileiros de 16 a 24 anos, estão 5,5 milhões de eleitores, o equivalente a 12,5% do eleitorado. Pessoas com mais de 70 anos somam 17 milhões, ou 15,75%. Os jovens de 16 e 17 anos representam 1,6 milhão de brasileiros.

Abstenção e rejeição entre eleitores

Em Brasília, Osires Rezende, aposentado e escritor de 73 anos, afirma estar decepcionado com a política. Ele já fez campanha para o PT e foi filiado ao PDT. Em 2018, votou em Jair Bolsonaro (PL), mas se arrependeu depois que aliados do governo barraram a chamada “Lava Toga”, movimento iniciado no Senado para investigar supostos abusos de autoridade de ministros do STF.

Desde 2022, Osires está inclinado a não votar. A idade, porém, permite que ele deixe de comparecer sem descumprir a obrigatoriedade eleitoral.

Tiago Coutinho, de 25 anos, também não se identifica com nenhum dos candidatos. De direita, diz considerar Jair Bolsonaro honesto, mas não atribui a mesma característica a Flávio. A família tenta convencê-lo a votar no senador já no primeiro turno, como forma de impedir uma eventual vitória de Lula. Tiago cogita essa opção apenas em um segundo turno.

A estudante Gabriela Rojas, de 16 anos, representa outra parcela desse eleitorado. Ela vai votar pela primeira vez e escolheu Lula por discordar dos ideais de Flávio e de seu pai. Influenciada pelos pais, advogados ambientais ligados à esquerda, Gabriela se juntou a sete amigas que decidiram tirar o título de eleitor.

Felipe Guerra, de 23 anos, apoia Flávio e atua no PL Jovem. Estudante de Gestão Pública no Instituto Federal de Brasília, ele faz campanha no Distrito Federal e afirma que sua geração, a chamada geração Z, tem migrado para a direita. Ele atribui ao PT a responsabilidade por problemas como violência e corrupção e aponta o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como uma de suas principais referências.

Votos consolidados entre os idosos

Em Cachoeira Paulista (SP), Conceição Ferreira, de 82 anos, mantém em casa toalhas, adesivos e fotos de Lula. Embora o voto não seja mais obrigatório para ela, afirma que pretende comparecer. A eleitora associa ao presidente políticas voltadas aos pobres e atribui a uma política educacional a formação de sua neta em uma universidade federal.

Conceição rejeita a família Bolsonaro principalmente por episódios relacionados a Jair Bolsonaro e à pandemia de Covid-19. Ela acredita na reeleição de Lula e afirma que pretende homenageá-lo com uma tatuagem da estrela do PT.

No Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, Ida Cristina, de 80 anos, também pretende votar, mesmo com mobilidade reduzida. Seu apoio passou de Jair Bolsonaro para Flávio Bolsonaro após a ausência do ex-presidente na disputa. Ela considera que Jair Bolsonaro fez um bom trabalho, sobretudo na economia, e não vê as investigações do Banco Master sobre a campanha de Flávio como motivo para mudar de posição.

Campanhas ampliam comunicação

O PT criou o projeto “Geração Lula”, voltado a eleitores com mais de 70 anos. A iniciativa oferece mensagens e materiais para redes sociais, além de propostas destinadas ao público idoso. O partido também organiza encontros de juventude, plenárias virtuais com fandoms e conteúdos para o Lulaverso, criado nas eleições em 2022.

A campanha de Flávio deve produzir um conteúdo específico para eleitores com mais de 70 anos. Enquanto isso, tenta associar o governo Lula à crise das fraudes no INSS, que atingiu aposentados e pensionistas. Entre os jovens, o candidato apresenta propostas como a redução para 16 anos da idade mínima para dirigir.

Pesquisas mostram disputa por faixas

No Datafolha de 17 de setembro, Lula tinha 39% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, contra 29% de Flávio. A Quaest, em 21 de setembro, apontou 31% a 31% para a faixa de 16 a 34 anos. Na Atlas, em 23 de setembro, os números foram 30% para Lula e 31% para Flávio.

Entre os idosos, Lula aparecia à frente em todos os levantamentos citados. No Datafolha, tinha 43%, contra 33% de Flávio. A Quaest registrou 42% a 32%, e a Atlas indicou 62,5% para Lula e 31,5% para Flávio.

Os indecisos e os votos brancos e nulos somavam 11% entre eleitores com mais de 60 anos, segundo o Datafolha. Para Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a baixa disposição dos jovens para votar pode prejudicar os dois candidatos, já que essa faixa está dividida entre Lula e Flávio.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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