A campanha de Lula passou a adotar uma comunicação mais casual nos programas eleitorais e nas redes sociais, em uma tentativa de ampliar o engajamento e recuperar espaço após pesquisas recentes indicarem o presidente numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno.
O presidente deixou de usar chapéu e paletó nas gravações em estúdio. A orientação da equipe de marketing, baseada em pesquisas internas, é aproximá-lo da população e apresentar uma estética mais moderna para o candidato à reeleição, que está prestes a completar 81 anos. A estratégia também busca atrair o público jovem nas redes sociais.
Lula passou a aparecer com camisa social, sem gravata ou paletó. A campanha também ampliou o uso de reacts, formato em que eleitores gravam perguntas para que o presidente responda. A equipe avaliou que o modelo aumentou o engajamento nos perfis do PT e de Lula nos últimos dias e decidiu mantê-lo, principalmente nas redes sociais.
Mudanças na comunicação
O chapéu havia sido incorporado à imagem do presidente depois da retirada de um câncer de pele na região da cabeça, quando ele precisou evitar a exposição ao sol. A campanha tentou transformar o acessório em um elemento “pop” nos vídeos, mas, segundo a equipe, o uso sobretudo em gravações feitas em locais fechados não produziu o resultado esperado. O chapéu também apareceu na foto da urna de Lula.
A mudança visual ocorre junto de ajustes no discurso. Durante a crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula foi orientado a “sair da defensiva” e defender uma reforma do Judiciário, proposta que não consta no programa de governo. A associação feita por eleitores, conforme pesquisas, entre o presidente e o ministro Alexandre de Moraes também afetou sua imagem.
A campanha ainda orientou Lula a criticar o ministro André Mendonça, relator do Caso Master, a quem o presidente acusou de usar a função para “fazer política”. Sob pressão da crise no Supremo e do desempenho recente nas pesquisas, Lula passou a atacar diretamente Flávio Bolsonaro e anunciou medidas de apelo popular, como o reajuste de 15% ao Bolsa Família. Também prometeu canetas emagrecedoras no SUS, sem detalhar a implementação.







