BRASÍLIA — O governo brasileiro recusou duas propostas dos Estados Unidos para rever a taxação de produtos nacionais, após a imposição de tarifas de 50% sobre itens brasileiros. A primeira previa 21 ações, entre elas condições para a eleição presidencial de 2026 e vantagens para empresas americanas no setor de minerais críticos.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), nesta quinta-feira, 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o primeiro documento não chegou a ser negociado por ser considerado inaceitável. Segundo ele, a proposta foi arquivada.
“Esse documento foi a primeira comunicação que nós recebemos e recusamos”, disse Lula. O presidente afirmou que não aceitaria que os Estados Unidos tivessem prioridade sobre a riqueza mineral do Brasil.
Exigências sobre a eleição
O documento previa que “dissidentes políticos” não fossem detidos, presos ou impedidos “arbitrariamente” de participar das eleições presidenciais de 2026. A demanda fazia parte das negociações iniciadas depois do tarifaço americano sobre produtos brasileiros.
A proposta também tratava do setor mineral. Lula defendeu que o beneficiamento dos minerais críticos seja realizado no Brasil. Para o presidente, a participação de empresas estrangeiras não estaria proibida, mas os investimentos deveriam resultar na transformação dos recursos e na produção de bens de maior valor agregado no país.
“Esse documento não foi discutido, não será discutido e não está sendo discutido”, declarou.
Segunda versão
A primeira proposta foi apresentada em 16 de outubro de 2025. Quase três meses depois, os Estados Unidos enviaram outro documento, em 9 de janeiro. A nova versão reunia sete setores e 14 tópicos.
O segundo texto retirava os temas de política doméstica, mas mantinha a exigência de eliminar integralmente tarifas aplicadas a alguns segmentos da economia brasileira. Como contrapartida, oferecia novamente a redução de tarifas. O governo brasileiro também rejeitou essa proposta.







