SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que o país não aceitará interferência de outros governos em assuntos nacionais. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), nesta quinta-feira (17), Lula comparou o modelo brasileiro ao dos Estados Unidos e citou Donald Trump.
O presidente declarou que, no Brasil, o resultado da eleição é conhecido poucas horas após o encerramento da votação. Segundo Lula, as urnas são encerradas às 18 horas e o resultado costuma ser conhecido às 20 horas. Ele também convidou delegações estrangeiras a acompanhar as eleições brasileiras e disse que o voto eletrônico poderia ser adotado em outros países.
Lula afirmou ainda que a soberania e a democracia brasileiras não estão sujeitas à decisão de presidentes estrangeiros. O presidente disse que já conversou três vezes com Trump e que o Brasil agirá de acordo com os interesses de sua população.
Minerais críticos
Na mesma entrevista, Lula negou que seu governo tenha discutido com os Estados Unidos uma exigência para que o país tivesse conhecimento prévio sobre a venda de ativos de mineração, incluindo minerais críticos. A medida estaria relacionada à negociação de um acordo sobre o tarifaço.
O presidente classificou a proposta como um documento antigo, que teria sido recusado pelo governo brasileiro. Lula afirmou que não aceitaria dar prioridade a outro país sobre a riqueza mineral do Brasil e disse que o texto não foi, não é e não será discutido.
A declaração ocorreu um dia depois da sanção da lei que estabelece a política nacional para a exploração de minerais críticos. Lula questionou a divulgação da proposta nesse momento e voltou a defender que o beneficiamento dos recursos seja realizado no Brasil.
O presidente afirmou que empresas estrangeiras não estão impedidas de investir no setor, mas condicionou a participação à transformação dos recursos no país e à produção de bens com valor agregado para exportação, em vez da venda apenas do minério.







