Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Tecnologia

JBS amplia influência nos EUA após encontro de Joesley Batista com Trump

Plano para liberar carne bovina brasileira sem tarifa por 90 dias ocorreu um dia após reunião entre Joesley Batista e Donald Trump.

JBS amplia influência nos EUA após encontro de Joesley Batista com Trump

A JBS ganhou espaço nas discussões sobre o abastecimento de carne bovina nos Estados Unidos após seu controlador, Joesley Batista, reunir-se com Donald Trump no Salão Oval em 20 de agosto. No dia seguinte, a Casa Branca anunciou um plano para liberar temporariamente mais importações, em uma medida que favorece a companhia brasileira.

Batista e Trump discutiram como o aumento do fornecimento brasileiro poderia ajudar a reduzir os preços ao consumidor caso a tarifa de importação de 26% fosse derrubada. Trump anunciou que os produtos seriam vendidos com desconto de 25% em relação aos preços de mercado. Não foi identificado quem organizou o encontro.

No mesmo dia, Luiz Inácio Lula da Silva conversou por 80 minutos com Trump sobre tarifas, combate ao crime organizado e conflitos globais. O Brasil é o maior produtor mundial de carne bovina.

Reação nos Estados Unidos

A medida provocou oposição entre pecuaristas e aliados republicanos. A National Cattlemen’s Beef Association afirmou que a intervenção do governo prejudicaria os criadores e dificultaria a estabilidade de longo prazo do setor. A deputada Ashley Hinson, de Iowa, classificou o plano como uma má ideia. O senador Pete Ricketts, de Nebraska, escreveu que “mudanças de política de curto prazo não equivalem a soluções de longo prazo”.

O cenário também tem peso eleitoral, porque republicanos enfrentam disputas nas eleições de meio de mandato em áreas rurais. Os futuros de gado de engorda caíram cerca de 9% no último mês, conforme dados da FactSet.

A Pilgrim’s Pride, segunda maior processadora de frango dos Estados Unidos e controlada majoritariamente pela JBS, doou US$ 5 milhões para a posse de Trump e se tornou a maior doadora do evento. A empresa afirma ter “uma longa história de participação no processo cívico e de criação de oportunidades para fornecer alimentos seguros e acessíveis às famílias americanas”.

Fundada como um matadouro familiar no interior do Brasil, a JBS emprega cerca de 280 mil pessoas em mais de 20 países. No ano passado, listou suas ações na Bolsa de Nova York. Joesley e Wesley Batista são membros do conselho e grandes acionistas. Os dois quase perderam tudo após admitirem subornos a políticos e passarem meses na prisão. Também firmaram acordos separados relacionados a acusações de corrupção nos Estados Unidos. A companhia afirma manter um programa de compliance.

Tarifas e investigação antitruste

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga os quatro maiores frigoríficos do país, incluindo a JBS, por possível comportamento anticompetitivo. As empresas negam irregularidades. Tyson Foods e JBS fecharam plantas depois de perderem centenas de milhões de dólares no processamento de carne nos Estados Unidos.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que o Brasil exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina para o mercado americano no primeiro semestre deste ano, alta de 10% ante o período anterior. O plano prevê até 300 mil toneladas métricas de aparas magras de carne sem tarifa por 90 dias, o equivalente a cerca de 2% do consumo anual americano.

A abertura pode se tornar permanente se a dependência americana aumentar, mas também deixa o setor brasileiro exposto às mudanças políticas em Washington. Em maio, um plano semelhante foi suspenso após pressão de pecuaristas e da secretária de Agricultura, Brooke Rollins.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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