A direção-geral da Polícia Federal passou por uma mudança e uma reversão em dois dias. Andrei Rodrigues foi afastado no dia 8 pelo ministro André Mendonça e reconduzido ao cargo no dia seguinte por Flávio Dino, que considerou a medida necessária para restabelecer as funcionalidades da instituição.
Rodrigues chegou ao comando da PF após chefiar a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2022. Desde então, tornou-se um dos auxiliares mais próximos do presidente e o acompanhou em missões ao exterior.
A condução do caso reforçou as críticas à influência política sobre o comando da corporação em diferentes governos. Lula afirma ter garantido a autonomia da PF após a gestão de Jair Bolsonaro, marcada por trocas no comando. O episódio mais conhecido foi a exoneração de Maurício Valeixo, depois de Bolsonaro declarar que não permitiria que outra pessoa cuidasse de sua família.
Atritos entre ministros e o diretor da PF
O afastamento foi determinado por André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal indicado por Bolsonaro. O texto relata que o relacionamento entre os dois já era marcado por desconfiança. A proximidade de Rodrigues com Lula teria levado Mendonça a questionar a atuação da PF em investigações envolvendo o filho do presidente no caso do INSS.
Rodrigues, por sua vez, desconfiaria de Mendonça por sua indicação ao STF. Sob a supervisão do diretor, profissionais da PF teriam investigado e monitorado ilegalmente o ministro, produzindo um relatório apócrifo e sem valor. O episódio resultou no afastamento de Rodrigues.
Durante a gestão de Rodrigues, a PF abriu 20 inquéritos, entre 2023 e 2025, para investigar casos relacionados à defesa da honra do presidente. O número corresponde ao dobro do registrado no governo Jair Bolsonaro.
O diretor também apareceu em mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, nas quais o ex-dono do Master questionava se seria possível acionar Rodrigues para barrar investigações da PF e do Banco Central. Ele ainda esteve em um jantar em Londres promovido pelo banqueiro.
A Associação de Delegados da Polícia Federal defende autonomia administrativa, financeira e funcional para a instituição. A proposta mantém a escolha do diretor-geral pelo presidente da República, mas prevê nomes apresentados em lista tríplice e mandato fixo. Essas mudanças são apontadas como forma de reduzir a dependência do comando em relação aos políticos no poder.







