O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, concedeu 48 horas para que Andrei Rodrigues explique sua participação na elaboração de um relatório de inteligência produzido sobre o ministro André Mendonça. A defesa do diretor-geral da Polícia Federal será agora estruturada pela Advocacia-Geral da União (AGU), sob comando do advogado-geral Jorge Messias.
A determinação ocorre após Mendonça ter ordenado o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de inteligência da PF, Leandro Almada. A medida foi posteriormente revogada. Antes da atuação da AGU, Rodrigues havia recorrido ao Supremo com um advogado particular para tentar derrubar a suspensão do cargo.
O que será esclarecido
Messias mobilizou a equipe técnica da AGU para preparar as informações solicitadas pelo Supremo. O principal ponto é definir o grau de envolvimento de Rodrigues na produção do material, além de detalhar a origem da demanda, os critérios técnicos empregados pela Polícia Federal e os limites de atuação da diretoria responsável pelo relatório.
O documento não tinha cabeçalho oficial da PF e trazia o alerta de que não possuía valor probatório. Mesmo assim, foi usado por Alexandre de Moraes para acusar Mendonça de abuso de autoridade.
O relatório mencionava uma “matriz religiosa comum” entre Mendonça e Messias. A partir dessa premissa, autorizava inferências sobre a atuação institucional dos dois e previa “monitoramento e coleta dirigida”. Mendonça classificou o episódio como “arapongagem institucional” e afirmou que os alvos foram monitorados de forma ilícita por mais de um mês.
Mudança na defesa
A escolha inicial de um advogado particular por Rodrigues provocou reações nos bastidores do governo e do STF. Interlocutores interpretaram a decisão como sinal de desconfiança em relação a Messias, que também aparecia entre os citados no documento.
O advogado-geral da União nega a existência de desconforto com a defesa. Em conversas reservadas, sustenta que a representação da AGU é um dever técnico e institucional voltado à proteção dos atos de dirigentes da administração federal.







