A AfD avalia três caminhos para lidar com uma eventual crise governamental na Alemanha: rejeitar qualquer cooperação com a CDU, oferecer apoio pontual até as próximas eleições regulares ou aceitar uma aproximação condicionada a compromissos considerados fundamentais pelo partido.
As possibilidades estão reunidas em um documento de debate apresentado por Sebastian Münzenmaier, vice-presidente da bancada da AfD no Bundestag. As discussões ocorrem internamente e a portas fechadas, com foco nas condições para uma eventual coligação ou cooperação com os democratas-cristãos.
Cargos e participação parlamentar
No cenário de aproximação, a AfD exige igualdade parlamentar e afirma que não apoiará iniciativas sem contrapartidas adequadas. Entre as reivindicações estão um cargo de vice-presidente do Bundestag, várias presidências de comissões, o uso da atual sala da bancada do SPD e participação direta nos processos de votação parlamentar.
O documento também aponta áreas de convergência com a União, especialmente migração e política econômica. A estratégia prevê usar esses temas para pressionar a CDU. Entre as propostas estão o endurecimento da lei da nacionalidade, o fim da dupla cidadania, o retorno à energia nuclear e a retirada do benefício social conhecido como “Bürgergeld” para refugiados ucranianos.
Disputa sobre a chamada “Brandmauer”
A líder da AfD, Alice Weidel, vinculou a reivindicação de participação na definição política às pesquisas favoráveis e aos resultados eleitorais mais recentes. Ela afirmou que “a AfD substituiu a CDU como principal partido popular” e pediu “conversações rápidas para gerir a crise”.
O chanceler federal Friedrich Merz rejeitou até agora qualquer plano de cooperação com a AfD. Ele destacou que o governo federal mantém a aliança com o SPD para levar adiante reformas centrais nas políticas de pensões e cuidados.
A aproximação proposta pela AfD confronta a chamada “Brandmauer”, metáfora usada na Alemanha para descrever a separação rigorosa dos partidos democráticos do centro em relação a forças extremistas. A AfD é classificada como partido de extrema-direita.







