A tumba de Sveshtari, no nordeste da Bulgária, reúne dez figuras femininas esculpidas em alto-relevo que combinam características humanas e vegetais. A composição, instalada ao redor da câmara central, não tem paralelo conhecido em outros sítios trácios escavados.
A descoberta ocorreu em 1982, durante escavações no Monte 7 da necrópole leste de Sboryanovo, conhecida localmente como Ginina Mogila, próxima à vila de Sveshtari. A equipe já investigava o sítio arqueológico quando localizou a câmara funerária.
A Unesco informa que a estrutura interna foi construída no século 3 a.C. O período corresponde ao auge da presença trácia naquela região dos Bálcãs, quando diferentes grupos trácios mantinham contato com o mundo helenístico e com culturas vizinhas.
Uma decoração sem paralelo
As dez cariátides foram executadas em alto-relevo nas paredes da câmara central e integravam uma composição policromada. O conjunto também inclui a decoração da lunete no teto abobadado. De acordo com a Unesco, esses elementos representam os únicos exemplos desse tipo específico de composição identificados em todo o território trácio.
As figuras são associadas à cultura dos getas, povo trácio que mantinha relações tanto com o mundo helenístico quanto com povos do extremo norte, descritos como hiperbóreos em fontes clássicas. A presença de referências distintas aparece no estilo híbrido das esculturas, que combina formas humanas e vegetais.
Uma possível tumba real
Pesquisadores associam o monumento a Dromiquetes, rei dos getas, e à sua esposa, filha de outro rei trácio chamado Lisímaco. A atribuição considera a escala monumental da construção e a riqueza da decoração interna.
A tumba foi incluída pela Unesco na Lista do Patrimônio Mundial em 1985, três anos depois da descoberta. O reconhecimento abrange um sítio cuja singularidade está concentrada na combinação entre a arquitetura funerária e as dez cariátides, conjunto considerado referência para o estudo da arte funerária trácia.







