MOSTAR — A Stari Most voltou a atravessar o rio Neretva após ser reconstruída no mesmo local onde uma ponte otomana erguida no século 16 permaneceu por 427 anos. A estrutura original foi destruída em 9 de novembro de 1993, durante a guerra croata-bosníaca, por forças croatas.
A ponte foi encomendada pelo sultão Solimão, o Magnífico, para substituir uma passagem suspensa de madeira considerada instável diante do tráfego que Mostar recebia. O projeto ficou a cargo de Mimar Hajrudin, discípulo do arquiteto otomano Mimar Sinan. A construção em pedra levou cerca de nove anos e foi concluída em 1566.
Reconstrução baseada no projeto original
Supervisionada pela Unesco, a reconstrução começou em 2001 e foi concluída em 2004. O trabalho seguiu documentação histórica e empregou pedra calcária Tenelija, extraída da pedreira original, além das técnicas otomanas de construção a seco usadas na ponte inicial.
Cerca de 30% da pedra da estrutura reconstruída veio de blocos originais recuperados do leito do Neretva, onde permaneceram submersos desde a destruição. O reaproveitamento incorporou à nova ponte fragmentos físicos da construção do século 16.
A destruição da Stari Most foi filmada e transmitida ao vivo internacionalmente, tornando a queda da ponte um símbolo da violência sofrida por Mostar durante o conflito. A reconstrução buscou reproduzir não apenas a aparência, mas também o método construtivo original, com especialistas capazes de retomar técnicas de cantaria pouco usadas na construção contemporânea.
Em 2005, a área da Ponte Velha, na cidade antiga de Mostar, foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial. A proteção abrange a ponte e o conjunto urbano ao redor, formado por influências otomanas, mediterrâneas e europeias acumuladas ao longo dos séculos.







