A Anistia Internacional denunciou que a Rússia atrai estrangeiros de países como Brasil, Colômbia e Cuba com falsas ofertas de emprego e os envia para lutar na Ucrânia. O relatório cita entrevistas com prisioneiros de guerra que assinaram contratos militares com Moscou.
Também há relatos envolvendo cidadãos do Sri Lanka e da África do Sul. Segundo a organização, alguns foram atraídos por anúncios de trabalho inexistentes e obrigados a se alistar depois de chegar à Rússia. Estrangeiros em situação irregular no país também seriam abordados com promessas de autorização de residência ou passaporte em troca do recrutamento.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que o sistema atinge pessoas vulneráveis e pode configurar tráfico de seres humanos. “Basicamente, são bucha de canhão”, disse.
Recrutamento e coerção
De acordo com o relatório, os recrutadores confiscam passaportes, pressionam os estrangeiros a assinar documentos que não compreendem e os submetem a treinamentos básicos antes de enviá-los ao front. Prisioneiros estrangeiros também relataram dificuldades para se comunicar com seus superiores por causa da barreira do idioma.
A definição das Nações Unidas para tráfico de seres humanos inclui o recrutamento, transporte ou alojamento ilegal por meio de fraude, engano ou abuso de poder. Para Callamard, o crime envolve falsas promessas, coerção, violência e exploração.
A Ucrânia estimou em abril que mais de 28 mil estrangeiros de 136 países combatiam no Exército russo. O número inclui, segundo autoridades ucranianas, cerca de 14 mil soldados norte-coreanos que enfrentaram as forças de Kiev durante a ofensiva ucraniana na região russa de Kursk, em 2024.
Moscou e Kiev recrutam estrangeiros desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, há quatro anos e meio. A Anistia afirmou que também não conseguiu contatar combatentes estrangeiros presos na Rússia, pois foi classificada como “agente estrangeiro” por Moscou. Nenhum dos dois países divulgou o total de soldados estrangeiros em suas fileiras.
As autoridades russas não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações. A Rússia já rejeitou anteriormente denúncias de que obriga estrangeiros a ingressar em seu Exército. Callamard pediu à Ucrânia e aos países de origem dos recrutados que apresentem provas para responsabilizar os envolvidos.







