O Japão pediu a revisão de um novo mapa-múndi adotado pela ONU por considerar que a representação associa as disputadas Ilhas Curilas à Rússia. No material, as ilhas aparecem com a mesma cor do território russo.
A objeção foi apresentada depois que a Assembleia Geral aprovou uma resolução para promover uma representação cartográfica mais fiel ao tamanho real dos continentes. O Japão esteve entre os 164 países que apoiaram a medida, mas questionou o mapa posteriormente.
O governo japonês argumenta que as ilhas, chamadas de Territórios do Norte no país, aparecem no mapa de forma incompatível com sua posição oficial. “Apresentamos um protesto ao responsável pelo site no qual o mapa aparece”, declarou o porta-voz do governo, Minoru Kihara, ao anunciar a iniciativa por canais diplomáticos.
Kihara afirmou ainda que o Japão deve evitar a disseminação de ideias equivocadas sobre seus territórios e nomes geográficos. O governo informou que exigiu a correção da representação.
Disputa territorial
As Ilhas Curilas foram ocupadas em 1945 pela então União Soviética, que expulsou a população japonesa. As relações entre Japão e Rússia se deterioraram no mês passado, após uma visita surpresa do presidente russo, Vladimir Putin, às ilhas — a primeira dele ao local.
Em resposta à visita, Tóquio convocou o embaixador russo. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou a viagem como “absolutamente inaceitável”.
O mapa adotado pela ONU abandona a projeção de Mercator, que amplia artificialmente territórios em latitudes mais altas e reduz proporcionalmente as áreas próximas ao Equador. Com a nova representação, África, América Latina, sul da Ásia e Oceania aparecem maiores.
A projeção Equal Earth, lançada por um grupo de cartógrafos em 2018, também representa de modo mais proporcional as dimensões dessas regiões.








