A Letônia bloqueou a renovação das sanções da União Europeia contra a Rússia ao anunciar oposição na noite de segunda-feira. O governo letão defende o endurecimento das medidas, enquanto França e Luxemburgo pressionam por mudanças na lista de sancionados.
“A posição do governo letão tem sido inabalável. As sanções da UE contra a Rússia devem ser reforçadas, não enfraquecidas”, escreveu nas redes sociais a ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze.
A decisão exige o voto unânime dos 27 países do bloco. A UE pretende prorrogar por três anos as sanções aplicadas a quase 3.000 pessoas e entidades vinculadas à guerra na Ucrânia. Se a resistência letã continuar, as medidas podem perder efeito à meia-noite desta terça-feira (22).
Disputa envolve dois empresários
A França pede a suspensão das sanções contra Alisher Usmanov, empresário do setor de metais que também tem nacionalidade uzbeque. O governo francês justifica oficialmente a solicitação por motivos de “segurança nacional”.
Luxemburgo, por sua vez, quer a retirada de Mikhail Fridman da relação de sancionados. O empresário cobra 15 bilhões de euros (17 bilhões de dólares, 86 bilhões de reais) do país, após o congelamento de seus ativos com base nas sanções europeias. As autoridades luxemburguesas temem que a retirada apenas de Usmanov fortaleça os argumentos jurídicos de Fridman na disputa.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, condenou a possibilidade de excluir os dois empresários, considerados próximos ao Kremlin. Para ele, a medida enviaria um sinal equivocado a Moscou em um momento em que a pressão deveria aumentar.
A Rússia defende o fim das sanções para Usmanov, Fridman e todos os empresários e cidadãos russos, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu na segunda-feira a manutenção das medidas, que classificou como um pilar central da resposta à guerra russa. A lista também inclui o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov. Usmanov e Fridman foram incluídos pouco depois da invasão russa da Ucrânia em 2022, sob a justificativa de que suas empresas geram receitas importantes para o Kremlin.








