O governo de Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira (17) que novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia podem dificultar as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. O pacote foi aprovado pelo Congresso americano e ainda depende da decisão do presidente Donald Trump para entrar em vigor.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou a iniciativa como uma ação hostil e disse que novas punições americanas complicariam os esforços para alcançar um acordo de paz. A Câmara aprovou o texto depois de sua aprovação pelo Senado no mês passado.
Ataques e medidas econômicas
Horas após a votação na Câmara, a Rússia realizou um bombardeio contra Kiev e outras sete regiões da Ucrânia. O ataque utilizou mísseis balísticos e de cruzeiro, além de cerca de 160 drones. Dezenas de pessoas ficaram feridas no país, incluindo 18 na capital.
A Polônia fechou dois aeroportos e mobilizou caças por causa do risco de invasão de seu espaço aéreo. Não houve invasão.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que era simbólica a coincidência entre o ataque e a aprovação da lei Lindsey Graham, batizada em homenagem ao senador republicano que defendia punições severas contra a Rússia.
O texto amplia as punições a empresas ligadas à produção e à distribuição de petróleo e gás de Moscou. A principal medida autoriza o presidente americano a impor sobretaxas de importação de até 100% a países que comprem esses produtos da Rússia.
A medida pode atingir a China, a Índia e a Turquia. O líder chinês, Xi Jinping, deve visitar Trump na próxima semana. O governo indiano advertiu que a aprovação prejudicaria as negociações comerciais em andamento entre os dois países.
O Brasil também estaria incluído na definição por causa do consumo de diesel russo. Essa possibilidade mudou depois que Putin proibiu, em julho, a exportação do derivado de petróleo devido à escassez provocada por ataques ucranianos contra refinarias russas.
Trump pode vetar o pacote. Nesse caso, a Câmara e o Senado precisariam de maioria de 2/3 para derrubar o veto, patamar que não foi alcançado na votação inicial.
Pressão política sobre Putin
O debate ocorre enquanto a Rússia se prepara para eleger uma nova legislatura da Duma, a Câmara baixa do Parlamento. A votação será realizada desta sexta-feira (19) até domingo (21).
O Rússia Unida, principal partido de apoio a Putin, tem hoje 321 das 450 cadeiras da Casa. O Iabloko, única sigla de oposição autorizada pelo sistema, foi impedido de disputar a eleição na lista de partidos por se posicionar contra a guerra. Candidatos do partido e independentes ainda poderão concorrer individualmente.
Pesquisas independentes indicam que o apoio à invasão continua alto, mas atingiu o menor nível desde o início da guerra em 2022. A falta de gasolina e os efeitos econômicos do conflito estão entre os fatores que afetam o cotidiano da população.
A popularidade de Putin permanece acima de 70%, embora tenha recuado. Na noite de quarta-feira (16), o presidente pediu que os cidadãos comparecessem às urnas e declarou que os resultados deveriam confirmar a maturidade e a resiliência da sociedade russa. A mensagem também serviu para pedir apoio ao Rússia Unida e a seus aliados.







