A Academia Goncourt retirou o escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien da lista de indicados ao prêmio literário francês após acusações de que ele teria usado inteligência artificial para escrever seu romance.
A decisão foi anunciada na sexta-feira (25). Em comunicado, os organizadores afirmaram que a medida busca preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da academia, cuja função é promover e celebrar a literatura escrita por mulheres e homens.
Orélien negou as acusações em entrevista ao jornal francês Libération. “Não vejo por que teria recorrido a uma máquina”, disse o escritor, que também afirmou ter sofrido ataques racistas. A editora Editions du Boréal declarou ter total confiança no autor.
Acusações sobre o romance
O caso começou com uma conta anônima no X, anteriormente conhecido como Twitter. O perfil Balance ton Claude, dedicado a denunciar livros supostamente escritos com tecnologia de inteligência artificial, acusou Orélien de ter produzido quase todo o romance “C’était Ça ou Mourir” com o auxílio de IA.
Para sustentar a acusação, a conta citou o resultado da Pangramed, uma ferramenta de detecção automática de inteligência artificial. A Academia Goncourt, porém, afirmou ter considerado resultados convergentes de análises feitas por pesquisadores e jornalistas que classificou como confiáveis. Segundo a instituição, as avaliações indicam que o livro é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial.
A obra aborda a vida de imigrantes e acompanha a trajetória de um personagem que deixa o Haiti para chegar ao Canadá. Os direitos do romance foram vendidos para 20 países antes do lançamento, e o livro alcançou repercussão na França.
Nascido em 1988 no Haiti, Orélien vive atualmente em Quebec e tem cidadania canadense. Ele começou a escrever ainda jovem e recebeu, aos 19 anos, o Prêmio Inter-regional de Jovens Autores por uma coletânea.







