Mais de 120 pessoas morreram desde quinta-feira em confrontos entre as forças governamentais do Iêmen e os rebeldes Huthis, conforme balanços de fontes militares, médicas e de segurança. Entre as tropas do governo e seus aliados, foram registradas 66 mortes. Os Huthis tiveram pelo menos 62 mortos, e um civil também morreu.
A ofensiva rebelde ocorreu nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, perto da costa do Mar Vermelho e na região de Taiz. Os Huthis utilizaram disparos de foguetes e ataques com drones. Uma fonte militar afirmou que o objetivo é conquistar áreas próximas ao estreito, rota marítima que liga a Ásia à Europa pelo Canal de Suez.
Fontes ligadas ao governo disseram que os rebeldes tentam isolar Mokha, cidade portuária situada ao norte de Bab el-Mandeb e atacada há várias semanas, das demais áreas sob controle governamental. Os Huthis também assumiram posições estratégicas em elevações próximas ao Mar Vermelho, a al-Khokha e a Taiz.
Para conter a ofensiva e recuperar o controle da região, o governo enviou reforços para Taiz. Um responsável sediado em Aden afirmou que a mobilização ocorreu a pedido da Arábia Saudita, aliada do governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.
Os Huthis não controlam atualmente áreas com vista direta para Bab el-Mandeb, mas dominam Hodeida, ao norte de Mokha. O governo e os rebeldes ainda não divulgaram um balanço oficial de mortos.
Contexto do conflito
O Iêmen viveu um conflito entre as forças governamentais, apoiadas por Riade, e os Huthis entre 2014 e 2022, quando entrou em vigor um cessar-fogo. A guerra voltou em julho, em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se espalhou pelo Oriente Médio.
Na base do confronto está a ofensiva lançada pelos Huthis a partir de seu reduto no norte do país, perto da fronteira com a Arábia Saudita. O grupo conquistou extensas áreas, incluindo a capital, Sanaa. O governo, sediado em Aden, recebeu ajuda de uma coalizão militar liderada por Riade em 2015.
Em julho, os Huthis anunciaram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e passaram a reivindicar vários ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho. O grupo integra o chamado eixo da resistência, formado por organizações apoiadas pelo Irã, entre elas o Hamas, o Hezbollah e milícias xiitas no Iraque.







