O Nepal concentrou as operações de salvamento em 12 projetos hidroelétricos após as enchentes de 26 de agosto, que deixaram mais de 1.300 mortos e cerca de 5.000 desaparecidos no país e no Tibete. Entre os desaparecidos, cerca de 900 são trabalhadores dessas instalações, e aproximadamente 500 podem estar presos em túneis, segundo as autoridades.
O país realizou nesta segunda-feira um dia de luto pelas vítimas. Prédios do governo exibiram bandeiras a meia-haste, enquanto famílias conduziram rituais religiosos. Em Catmandu, parentes de pessoas ainda não localizadas se reuniram diante dos escritórios do primeiro-ministro e de ministérios para pedir que o governo acelere as buscas.
As vítimas trabalhavam em centrais hidroelétricas e teriam sido arrastadas pela correnteza do rio Bhotekhoshi ou soterradas por detritos. As equipes continuam procurando pessoas em terra, pelo ar e dentro de túneis. No sábado, um cidadão chinês foi retirado de uma central elétrica. Na sexta-feira, dois nepaleses foram resgatados da mesma instalação. O salvamento de três trabalhadores em túneis, no fim de semana, também ampliou a expectativa de encontrar sobreviventes.
Equipes internacionais
Grupos especializados da Índia, China, Coreia do Sul e Estados Unidos atuam na remoção de detritos, na inspeção de estruturas danificadas e na busca dentro dos túneis. As operações se espalham por diferentes projetos e envolvem riscos e incertezas, de acordo com Arnold Dix, presidente da International Tunnelling and Underground Space Association.
“Não se trata de um único resgate, mas de vários resgates potenciais”, afirmou Dix, ao descrever a complexidade da operação. Ele participou dos trabalhos para retirar 41 homens presos durante 17 dias no túnel de Silkyara, no estado de Uttarakhand, em 2023.
O porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, disse que as operações mantêm o mesmo ritmo do início e que o objetivo é garantir que ninguém continue preso. No Nepal, país majoritariamente hindu, o luto dura 13 dias. No último dia, são realizados rituais em homenagem aos mortos. Algumas famílias fizeram funerais simbólicos mesmo sem recuperar os corpos.







