Um tribunal do Cairo condenou à morte a apresentadora egípcia Sarah Khalifa por financiar e coordenar uma rede de fabricação e tráfico de drogas sintéticas. O advogado Mohamed El-Gendy informou que a defesa vai recorrer e usar as vias legais disponíveis.
Khalifa foi condenada no sábado com outros 11 acusados. O irmão dela, Mohamed Khalifa, também recebeu pena de morte, sob acusação de fabricar e testar as substâncias. Os condenados à morte foram multados em 500.000 libras egípcias. Nove acusados receberam prisão perpétua e sete foram absolvidos.
Uma instância criminal superior ainda pode reavaliar as provas e a participação de cada réu, mantendo, reduzindo ou anulando as penas. Também existe a possibilidade de recurso ao Tribunal de Cassação do Egito. Antes da sentença, o processo havia sido enviado ao Grande Mufti do Egito, cuja manifestação é consultiva e não vinculante. Ao final, 12 dos 13 acusados submetidos a essa etapa foram condenados à morte.
Investigação sobre drogas sintéticas
O caso começou em abril de 2025, quando as autoridades antidrogas disseram ter identificado uma rede que importava matérias-primas para produzir drogas sintéticas. Buscas em dois apartamentos no Cairo levaram à apreensão inicial de cerca de 200 quilogramas de drogas, insumos e equipamentos. O Ministério Público afirmou depois que o total apreendido ultrapassou 750 quilogramas.
A investigação durou cerca de 40 dias até a obtenção dos mandados de prisão. A acusação afirmou que os 28 réus exerciam funções ligadas à compra, fabricação, armazenamento e distribuição. O processo foi sustentado por depoimentos de 20 testemunhas e por provas digitais, como mensagens, fotografias e vídeos.
Análises forenses identificaram as substâncias como canabinoides sintéticos, e não apenas haxixe. O Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime classifica a MDMB-4en-PINACA como um canabinoide sintético potente, submetido a controle internacional em 2021. A substância pode provocar psicose, convulsões e problemas cardíacos e renais, além de morte em casos graves.
Um comitê concluiu que o composto se enquadrava na legislação egípcia porque sua estrutura química e seus efeitos eram semelhantes aos de substâncias já controladas no país. A defesa contestou a interpretação, mas o tribunal aceitou a conclusão.
Acusações contra Khalifa
Os procuradores afirmaram que Khalifa financiou parte da operação, viajou ao exterior para encontrar integrantes seniores da rede e atuou como elo entre eles e outros membros no Egito. A acusação também apresentou mensagens do WhatsApp, vídeos de substâncias semelhantes às apreendidas e comunicações com supostos integrantes do grupo.
Uma perícia caligráfica apontou que Khalifa escreveu anotações em um caderno apreendido. O material continha nomes, números e valores que, segundo o Ministério Público, estavam relacionados às despesas da operação. Khalifa negou envolvimento na rede.
No sábado, ela recebeu ainda uma condenação de três anos de prisão em outro processo, por agressão. Segundo os investigadores, o celular da apresentadora continha vídeos de um jovem identificado como seu motorista sendo despido, agredido e filmado nu dentro da casa dela. Dois outros acusados foram condenados a sete anos de prisão cada, e um quarto recebeu cinco anos.
A Anistia Internacional registrou 23 execuções no Egito em 2025, contra 13 no ano anterior, e criticou o uso da pena de morte para crimes que não envolvem homicídio intencional.







