Carlo Acutis, morto em 2006 aos 15 anos, tornou-se uma referência para jovens católicos e um personagem popular nas redes sociais. De moletom, tênis e mochila, o santo italiano aparece em memes, figurinhas de WhatsApp e vídeos produzidos com inteligência artificial.
Canonizado pela Igreja Católica em 7 de setembro de 2025, Acutis foi o primeiro santo de sua geração. Gamer e admirador de Mario Bros. e Pokémon, passou a ser associado à ideia de patrono da internet. Nas redes, seu nome é usado tanto em pedidos de intercessão quanto em brincadeiras sobre notebooks, memes e os excessos da vida online.
A popularidade digital convive com uma devoção crescente entre jovens, que encontram na rotina de Acutis uma identificação diferente daquela associada a santos de outros períodos. Essa aproximação influenciou a forma de viver a fé, escolhas pessoais e decisões profissionais.
Devoção que chega ao trabalho
Marcus Santos, 22, mudou-se de Minas Gerais para Campo Grande (MS), onde trabalha no apostolado Devotos de Carlo Acutis Brasil e cuida das redes sociais do grupo. Ele conheceu Acutis em 2020, quando o italiano foi beatificado, e aprofundou o contato com sua história durante um encontro de jovens católicos.
Com amigos, Marcus criou um grupo de oração na internet e passou a usar as redes para evangelizar. “A gente começou a evangelizar no Instagram, como o Carlo fazia”, afirma. Ele também criou o perfil Jovem Cristo e colocou Acutis como patrono.
Marcus mantém figurinhas do santo no WhatsApp e considera positivas as brincadeiras respeitosas. Para ele, os memes podem despertar o interesse de outras pessoas e levá-las a conhecer a trajetória de Acutis.
A influência também aparece na história de Daniel da Silva, 22, seminarista. Em 2020, ele encontrou no Instagram um perfil dedicado a Acutis, então venerável, e retomou o projeto de se tornar padre. “O Carlo foi um divisor de águas na minha vida”, diz.
Daniel acompanha pouco a cultura dos memes, mas avalia que conteúdos respeitosos podem ajudar a divulgar a imagem do santo. Ele também viu vídeos produzidos com inteligência artificial que simulavam Acutis falando e não considerou o material necessariamente desrespeitoso. Para o seminarista, o próprio santo poderia brincar com esse tipo de representação se estivesse vivo.







