SAXÔNIA-ANHALT — A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) tornou-se o fiel da balança após a AfD conquistar 44% dos votos na eleição estadual de domingo (6). Com cinco cadeiras, o partido pode apoiar um governo liderado pela extrema direita — ou impedir que ele seja formado.
A AfD elegeu 39 representantes para o Parlamento, que tem 83 lugares. Para colocar seu candidato a governador, Ulrich Siegmund, no cargo, a sigla precisa obter mais três assentos. Na Alemanha, o chefe do Executivo federal e dos estados é escolhido indiretamente pelo Legislativo.
A maioria dos partidos que superaram a cláusula de barreira de 5% rejeita, por princípio, uma aliança com a AfD. A sigla é considerada comprovadamente extremista de direita pela inteligência interna alemã. A BSW é a exceção: admite uma “parceria pragmática”, embora critique principalmente o programa econômico dos extremistas.
Uma combinação de pautas
Criada pela deputada federal Sahra Wagenknecht após sua saída do partido A Esquerda, a BSW tenta disputar com a AfD eleitores preocupados com imigração e temas de costumes. Sua plataforma combina propostas econômicas à esquerda com posições à direita em questões sociais.
O partido se opõe à regulação das redes sociais, a restrições para quem questiona a eficácia de vacinas ou a mudança climática e à exigência de linguagem neutra. Também critica o apoio alemão à Ucrânia, a União Europeia e medidas para reduzir as emissões de gás carbônico.
Na economia, defende o fortalecimento dos sindicatos, o aumento do salário mínimo e das aposentadorias, a reversão de privatizações e reformas da previdência e investimentos públicos em infraestrutura, habitação e transporte. A sigla também propõe restringir fortemente a imigração, mas sem fechar totalmente as fronteiras.
A estratégia ainda não produziu crescimento eleitoral consistente. Desde sua criação, a BSW participou de eleições em sete estados, não superou a cláusula de barreira em três deles e teve resultados modestos nos outros quatro. Na Saxônia-Anhalt, pesquisas questionavam sua entrada no Parlamento, mas o partido conseguiu eleger representantes.
Antes da votação, a liderança da BSW havia sugerido um governo comandado por um ministro-presidente “apartidário”, com apoio da maioria parlamentar. Siegmund afirmou que a proposta não será considerada nas negociações.








