A Alternativa para a Alemanha (AfD) iniciou nesta segunda-feira (7) conversas com outros partidos para formar o governo de Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. A legenda de extrema direita conquistou quase 44% dos votos, contra 17% da União Democrata Cristã (CDU), que comandava a região até agora.
A votação representa uma derrota para os conservadores da CDU, que governam o país sob a liderança do chanceler Friedrich Merz. A AfD precisa de três cadeiras para obter maioria absoluta no Parlamento regional. O líder local, Ulrich Siegmund, pode buscar apoio da CDU ou contar com respaldo, ao menos tácito, da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), legenda de esquerda pró-Rússia.
Siegmund, de 35 anos, prometeu endurecer a política migratória, acabar com a obrigatoriedade de frequentar a escola e alterar o conteúdo da disciplina de História nos colégios. Na avaliação dele, o ensino é excessivamente concentrado na culpa da Alemanha pelo período do Terceiro Reich.
Repercussão na Alemanha e na Europa
A AfD não governa nenhuma região alemã desde 1945. O resultado ocorreu em uma área empobrecida do antigo leste comunista, onde o partido explorou a nostalgia pela Alemanha Oriental e o ressentimento com a desigualdade em relação ao oeste, décadas depois da queda do Muro de Berlim em 1989.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a ameaça extremista avança na Europa e no mundo, em parte pela rendição da direita tradicional. A Suécia realizará eleições em setembro, enquanto França, Espanha e Itália terão pleitos em 2027.
Na França, onde o Reagrupamento Nacional lidera as pesquisas para a eleição presidencial de abril de 2027, aliados de Emmanuel Macron defenderam que partidos moderados de centro, esquerda e direita apoiem um único candidato contra Marine Le Pen. Nos Estados Unidos, Richard Grenell e Elon Musk celebraram o desempenho da AfD.
Pressão sobre Friedrich Merz
A copresidente nacional da AfD, Alice Weidel, disse que a impopularidade de Merz se tornou um obstáculo para o desenvolvimento da Alemanha e afirmou que o partido pretende alcançar pelo menos 40% dos votos nas legislativas de 2029.
Merz declarou estar profundamente consternado com o resultado, mas disse que manterá o caminho das reformas e que tentará explicar melhor suas medidas. Ele chegou ao poder em maio de 2025, com promessas de endurecer a política migratória.
A representante da comunidade judaica alemã Charlotte Knobloch também reagiu ao resultado e afirmou que não imaginava que a extrema direita voltaria a vencer eleições no país.








