O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais determinou que o ICL Notícias e a Meta retirem, em até 24 horas, conteúdos que atribuem ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) o uso da expressão “lindão” ao se referir ao banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada neste domingo, 6, em resposta parcial a um pedido de direito de resposta apresentado pelo parlamentar.
O juiz Jair Francisco dos Santos afirmou que ouviu o áudio mencionado nas publicações. Segundo a decisão, Nikolas chamou Vorcaro de “Dani” em todas as passagens, sem usar o termo atribuído a ele. A reportagem questionada afirma que “lindão” aparece na transcrição oficial do áudio, no qual o deputado pede que Vorcaro ajude seu advogado e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria na liberação de um ativo minerário.
Conteúdos alcançados pela liminar
A ordem determina a indisponibilização da reportagem publicada no site do ICL Notícias e de postagens no Instagram e no Facebook. A Meta, empresa responsável pelas plataformas, também foi incluída na determinação. Para Santos, a proximidade do pleito e a rápida circulação do material justificam a medida contra seis publicações consideradas inverídicas na decisão.
O juiz, contudo, não autorizou a remoção de todo o conteúdo relacionado ao episódio. Foi mantido um vídeo de mais de três minutos em que a jornalista Juliana Dal Piva analisa o caso. Também permaneceu no ar uma publicação reproduzida nas duas redes sociais na qual o jornalista Xico Sá comenta o episódio. Na avaliação do magistrado, nesses materiais prevalece o interesse público na análise do áudio, sem intenção clara de divulgar informação inverídica.
Alegação sobre ativo minerário
Nikolas também contestou a afirmação de que teria pedido a Vorcaro a liberação de um ativo de minério. Nesse ponto, Santos não identificou irregularidade eleitoral. Para o juiz, o contato buscava intermediar a comunicação entre Vorcaro e Thiago Rodrigues de Faria, descrito como amigo e advogado do deputado, sobre pendências relacionadas a um ativo minerário.
Em nota, a defesa do ICL Notícias e Juliana Dal Piva afirmou que a reportagem usou transcrições oficiais e reiterou o conteúdo publicado. O grupo declarou que eventual erro deveria resultar apenas na correção da palavra contestada, e não na retirada integral dos materiais. Também informou que não apresentará documentos capazes de expor o sigilo da fonte e que pretende usar medidas jurídicas para reverter a decisão.







