Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos atingiram os maiores níveis em quase duas décadas nesta quinta-feira (10), em meio à alta do petróleo e a novos sinais de inflação persistente. O movimento ampliou a venda global de títulos.
O rendimento do título americano de 30 anos avançou até 7 pontos-base, para 5,35%, maior nível desde junho de 2007. O papel de 10 anos chegou a 4,95%, com alta de 11 pontos-base, no maior patamar desde outubro de 2023.
A pressão ocorreu um dia depois de Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, anunciar um plano de recompra de US$ 6 bilhões que teve reação negativa dos investidores. A operação realizada nesta quinta-feira recebeu US$ 5,2 bilhões em ofertas, embora o limite fosse de US$ 6 bilhões. O Tesouro informou ter recebido US$ 10,5 bilhões em propostas e aceitado cerca de metade desse volume.
“Os títulos estão sofrendo um golpe duplo: os preços do petróleo avançam gradualmente, enquanto as recompras dos EUA e os crescentes riscos à credibilidade elevam os prêmios de risco”, disse Pooja Kumra, estrategista de juros da TD Securities.
Petróleo e inflação
O Brent, referência internacional, subiu 6%, para US$ 107,31 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, avançava em proporção semelhante, a US$ 101,86 por barril.
A Arábia Saudita informou à Opep ter produzido 6,2 milhões de barris por dia em agosto, o menor volume mensal de 2026 e 23% abaixo do registrado em julho. A informação consta de relatório divulgado pelo cartel nesta quinta-feira.
A alta do petróleo ocorreu após rebeldes houthis tomarem um importante porto do Iêmen e a produção saudita de petróleo bruto recuar. O movimento elevou as preocupações com o fornecimento global de energia e com as pressões inflacionárias.
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Produtor do Bureau of Labor Statistics avançou para uma taxa anual de 5,4% em agosto, ante 4,7% no mês anterior. A alta veio acima da expectativa dos analistas de Wall Street.
Efeito nos mercados europeus
Os rendimentos também subiram na Europa. No Reino Unido, o título de referência de 10 anos avançou 0,11 ponto percentual, para 5,38%, maior nível desde 2007. Na Alemanha, o rendimento do papel de 10 anos aumentou 0,06 ponto percentual, para 3,5%, o maior patamar desde 2011.
O Banco Central Europeu elevou os juros para 2,5% nesta quinta-feira e afirmou que a inflação na zona do euro deverá permanecer bem acima da meta de 2% por um período prolongado. A instituição relacionou o cenário aos preços de energia elevados durante a guerra com o Irã.
A alta dos rendimentos corresponde à queda dos preços dos títulos. Os dois indicadores se movem em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior, os preços recuam.
Donald Trump afirmou que os preços do petróleo devem permanecer elevados pelo menos até as eleições de meio de mandato. Na quarta-feira, disse que a queda viria depois desse período. A S&P Global Energy afirmou que o mercado está se ajustando a um novo patamar de preços mais altos e, pela primeira vez desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, não prevê o retorno da produção de petróleo bruto do Oriente Médio aos níveis anteriores à guerra até o fim de 2027.








