São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Fed leva juros dos EUA a até 4% em decisão unânime

Banco central americano cita inflação elevada, mercado de trabalho estável e atividade econômica em expansão ao elevar a taxa pela primeira vez desde julho de 2023.

Fed leva juros dos EUA a até 4% em decisão unânime

A inflação americana permaneceu em 3,4% em agosto, com os combustíveis respondendo por um terço da alta mensal de 0,4%, antes de o Federal Reserve elevar os juros nesta quarta-feira (16). O banco central dos Estados Unidos aumentou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%.

A decisão foi unânime, com 12 votos a 0, e representou a primeira alta desde julho de 2023. A medida já era esperada pelos mercados: as apostas em juros entre 3,75% e 4% subiram de 63%, no dia seguinte à reunião de julho, para 86%, conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group. Até então, a taxa estava entre 3,5% e 3,75%.

Inflação e atividade econômica

Em comunicado, o Fed afirmou que a atividade dos Estados Unidos continua em expansão sólida. O órgão mencionou a resistência dos gastos domésticos diante da incerteza causada por fatores geopolíticos, além do avanço da produtividade, dos investimentos de capital e da estabilidade do mercado de trabalho.

A economia americana abriu 162 mil vagas fora do setor agrícola em agosto, segundo o payroll, relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. O resultado superou a previsão de 55 mil novos postos. Para o Fed, a elevação dos juros deve contribuir para acelerar a volta da inflação à meta de 2%.

Na última sexta-feira (11), o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho registrou a maior alta em quatro meses. O avanço mensal foi de 0,4%, influenciado pelos combustíveis, enquanto a inflação em agosto ficou em 3,4%.

Pressão política e títulos

A decisão ocorreu em meio às críticas de Donald Trump ao banco central. No domingo (13), o presidente afirmou que os Estados Unidos deveriam ter a menor taxa de juros do mundo. Em uma publicação feita há duas semanas na Truth Social, ele escreveu: “Reduzam a taxa ou vou parar de comercializar com os países com os quais temos déficit”.

O presidente também disse que os juros do Fed beneficiam outros países em prejuízo dos Estados Unidos. As declarações foram feitas enquanto o banco central enfrentava um atrito com o Tesouro americano.

Em 19 de agosto, o Tesouro informou que aumentaria as recompras de títulos públicos de prazo mais longo: o programa passaria de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões). As operações começaram em 9 de setembro e ampliaram o programa criado para facilitar a negociação de títulos americanos mais antigos.

A queda nos preços dos títulos eleva seus rendimentos, movimento que também pressionou taxas de juros de títulos corporativos e hipotecas. Em 28 de agosto, Kevin Warsh, presidente do Fed, havia classificado a inflação como “preocupante” em discurso em Jackson Hole, no estado de Wyoming, e sinalizado que o banco central ainda teria trabalho para conter as pressões sobre os preços.

Petróleo e ambiente externo

Nas últimas semanas, o conflito no Oriente Médio voltou a se intensificar entre Washington e Teerã, com ofensivas contra refinarias e embarcações ligadas aos dois lados. O aumento dos confrontos elevou o receio de interrupções no fluxo global de petróleo.

Nesta quarta-feira (16), o barril de petróleo Brent chegou a US$ 106,83 (R$ 550,63) por volta das 8h no horário de Brasília. A expectativa de juros mais altos já havia impulsionado o rendimento dos Treasuries e fortalecido o dólar.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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