O Federal Reserve (Fed) elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. A decisão foi aprovada por unanimidade, com 12 votos a 0, e representa o primeiro aumento desde julho de 2023.
O banco central afirmou que a atividade econômica americana continua em expansão sólida. O comunicado destacou a resistência dos gastos domésticos, o avanço da produtividade, os investimentos de capital e a estabilidade do mercado de trabalho. Segundo o Fed, a criação de empregos acompanha o crescimento da força de trabalho.
A inflação, porém, permanece elevada. Para o banco central, a alta dos juros deve contribuir para acelerar o retorno dos preços à meta de 2%.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA reforçaram a avaliação positiva sobre o emprego. Em agosto, foram criadas 162 mil vagas fora do setor agrícola, conforme o payroll. O resultado superou a expectativa de 55 mil novos postos.
A decisão ocorreu em meio às críticas do presidente Donald Trump ao Fed. No último domingo (13), durante uma conversa com jornalistas no torneio de golfe Irish Open, Trump afirmou: “Os EUA deveriam pagar a menor taxa de juros do mundo”. Há duas semanas, em uma publicação na Truth Social, ele havia pressionado pela redução dos juros: “Reduzam a taxa ou vou parar de comercializar com os países com os quais temos déficit”.
A reunião também foi realizada poucos dias depois de o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho registrar, na sexta-feira (11), a maior alta em quatro meses. Em agosto, a inflação ficou em 3,4%, enquanto a gasolina respondeu por um terço da alta mensal de 0,4%.
As expectativas de aumento já haviam impulsionado o rendimento dos Treasuries e fortalecido o dólar. Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma elevação para a faixa entre 3,75% e 4% passou de 63%, no dia seguinte à reunião de julho, para 86%. Antes da decisão, os juros estavam entre 3,5% e 3,75%.
A política monetária também ocorre em um ambiente de tensão entre o Tesouro americano e o Fed. Em 19 de agosto, o Tesouro anunciou a ampliação das recompras de títulos públicos de prazo mais longo: o programa passaria de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões). As recompras começaram em 9 de setembro.
No cenário internacional, a escalada do conflito entre Washington e Teerã aumentou os receios sobre interrupções no fluxo global de petróleo. Nesta quarta-feira (16), o barril de Brent chegou a US$ 106,83 (R$ 550,63) por volta das 8h no horário de Brasília.







