A reabertura do mercado da Tailândia para a carne brasileira está entre os principais objetivos da viagem oficial de Mauro Vieira ao Sudeste Asiático. O mercado está fechado desde 2024, e o chanceler discutiu o tema com autoridades e empresários durante sua passagem por Bangkok, entre os dias 8 e 10 de setembro.
As reuniões na Tailândia envolveram o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow, além de representantes do setor privado. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a agenda também incluiu comércio, investimentos, ciência, tecnologia, inovação, segurança alimentar e cooperação no combate ao crime organizado internacional, com atenção ao tráfico de pessoas e às fraudes cibernéticas.
O Itamaraty informou que o governo tailandês mantém apoio ao Brasil e diálogo na área consular. Esse trabalho foi considerado decisivo em situações de resgate de trabalhadores. Nos últimos meses, brasileiros foram atraídos por promessas de emprego no Sudeste Asiático e posteriormente explorados em condições análogas à escravidão.
Em artigo publicado no Bangkok Post, Vieira afirmou que o Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e no Caribe. O fluxo comercial entre os dois países somou US$ 5,7 bilhões em 2025, segundo os dados mencionados no artigo.
A etapa anterior da viagem ocorreu em Singapura, onde o ministro se reuniu com o chanceler Vivian Balakrishnan, com a ministra do Meio Ambiente, Grace Fu, e com representantes de cerca de 20 empresas brasileiras e singapurianas. Em uma conferência com líderes políticos e empresariais, Vieira defendeu a entrada do Brasil como Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Atualmente, 12 países ou blocos têm esse status, nenhum deles da América Latina. O Brasil é parceiro de diálogo setorial desde 2022. Singapura é o principal parceiro brasileiro na Asean e o segundo na Ásia, atrás da China. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 10,7 bilhões, alta de 23% sobre 2024.
A viagem ocorre enquanto o governo brasileiro tenta diversificar parceiros comerciais diante das tarifas impostas pelo governo Donald Trump. As conversas em Singapura também abordaram temas da agenda geopolítica global e da Ásia.








