O petróleo e seus derivados responderam por 49,4% do superávit comercial brasileiro acumulado até agosto, segundo análise do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado líquido do conjunto somou US$ 27,3 bilhões, após a combinação de US$ 32,3 bilhões de saldo do petróleo bruto e US$ 4,9 bilhões de déficit em derivados.
Em agosto, o petróleo bruto representou 14,6% das exportações brasileiras, acima da soja, que correspondeu a 13,3%. Considerando o acumulado até agosto, a soja ainda liderou a pauta, com 15,7%, seguida pelo petróleo, com 14,7%.
A FGV relaciona parte do desempenho recente ao conflito no Irã e aos efeitos sobre preços e rotas. A elevação dos valores de petróleo e derivados teria estimulado importadores a buscar fornecedores fora das áreas de maior risco. Nesse cenário, o Brasil se beneficia do reposicionamento, embora o relatório também destaque a pressão para conciliar os ganhos comerciais do óleo com os compromissos da transição energética.
A força da indústria extrativa contrasta com o desempenho da indústria de transformação nas relações com os principais parceiros. No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil registrou saldo positivo em agropecuária e extrativa, mas resultado negativo em transformação nos negócios com China, União Europeia e Estados Unidos.
Com a China, o saldo da indústria extrativa foi de US$ 33,8 bilhões, enquanto a agropecuária registrou US$ 27,9 bilhões. A indústria de transformação teve déficit de US$ 36,1 bilhões. Na União Europeia, os saldos positivos foram de US$ 11,2 bilhões na extrativa e US$ 7,8 bilhões na agropecuária, diante de déficit manufatureiro de US$ 15,8 bilhões.
Diferenças entre os parceiros
Nos Estados Unidos, o déficit da transformação foi de US$ 4,6 bilhões. Os resultados positivos da agropecuária, de US$ 1,1 bilhão, e da extrativa, de US$ 0,4 bilhão, não compensaram o saldo industrial negativo. Para a FGV, a coincidência das pautas exportadoras de Brasil e Estados Unidos nesses dois setores limita a expansão do superávit brasileiro.
A indústria de transformação acumulou déficits em 18 dos 23 setores no comércio com a China, em 17 na relação com a União Europeia e em 12 com os Estados Unidos. Produtos alimentícios, produtos de fumo e celulose foram os três setores superavitários nos três mercados.
A FGV avalia que os Estados Unidos oferecem oportunidades para ampliar as exportações manufatureiras. A União Europeia poderia apresentar trajetória semelhante conforme os desdobramentos do acordo com o Mercosul. Na China, a abertura de novos segmentos dependerá dos investimentos que o país realizar no Brasil. O Icomex projeta um superávit maior em 2026 do que em 2025, sustentado pela indústria extrativa, enquanto a transformação permanece como ponto de vulnerabilidade nas relações bilaterais.








