SÃO PAULO — O ministro Rogério Schietti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara de São Paulo. Ele está preso desde a sexta-feira, 18, após ser localizado depois de ficar foragido da Operação Vectura Corrupta.
Leite é investigado sob suspeita de atuar como sócio oculto de empresas de transporte controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Na decisão, Schietti afirmou que há indícios concretos de autoria e participação do ex-vereador, apontado como gestor direto de empresas ligadas à facção e como proprietário de fato da Transwolff.
Os advogados Wilton Luis da Silva Gomes, Beatriz Alaia Colin e Henrique Sobreira Barbugiani Attuch alegaram que a medida judicial não teria suporte no ordenamento jurídico. Leite afirma que provará sua inocência em todas as acusações.
Investigação sobre empresas de ônibus
A decisão da 8.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que autorizou a operação, registra que Milton Leite foi citado como responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pelo PCC. O desembargador Sérgio Ribas também mencionou declarações de policiais militares, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais Leite seria o dono de fato da Transwolff.
A empresa foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de companhias de transporte coletivo. Em janeiro de 2025, a Prefeitura de São Paulo rescindiu o contrato com a Transwolff por decisão do prefeito Ricardo Nunes.
Em julho de 2024, investigadores identificaram uma conversa entre Cícero José dos Santos Filho, advogado ligado ao PCC, e José Daniel Satilite, apontado como “laranja” e proprietário da Viação Translíder Transportes Rodoviários e Logística Ltda. Na conversa, Daniel afirmou que seria necessário envolver Milton Leite para tratar de uma questão relacionada à UPBus, empresa da zona leste de São Paulo que tinha integrantes da cúpula do PCC entre seus acionistas.
Fundamentação da decisão
Schietti afirmou que o STJ não poderia analisar o habeas corpus contra uma decisão individual de desembargador antes de manifestação do órgão colegiado de segunda instância. O ministro também disse que a prisão temporária foi baseada em “elementos concretos” e era necessária para o avanço da investigação sobre a infiltração de uma facção criminosa no transporte público.
Na casa de Milton Leite em Sorocaba, a Polícia Civil e o Ministério Público encontraram uma passagem secreta e R$ 765 mil em espécie. Os investigadores apuram a possibilidade de vazamento da operação.
Na noite de domingo, 20, o escritório do ex-vereador em Santo Amaro, na zona Sul da capital, foi invadido. Os criminosos encontraram R$ 19.261, mas não levaram o dinheiro. O equipamento DVR que armazenava as imagens das câmeras de segurança foi levado.
Uma vizinha acionou a Polícia Militar após perceber a invasão. No local, os policiais encontraram o portão aberto, sinais de arrombamento, malotes com dinheiro, documentos pessoais e celulares. A área foi isolada para perícia e exames de papiloscopia. Depois dos trabalhos da Polícia Científica, os objetos foram apreendidos e encaminhados ao 11.º Distrito Policial (Santo Amaro).







