O petróleo acima de US$ 100 por barril elevou a cautela dos investidores nesta quarta-feira (9) e pressionou os mercados brasileiros. Por volta das 15h30, o dólar subia 0,34%, cotado a R$ 5,103, enquanto a Bolsa recuava 0,93%, aos 185.549 pontos.
A alta da commodity ocorreu em meio à intensificação da guerra no Irã. O preço superou US$ 100 pela primeira vez desde 25 de maio, aumentando os riscos para o fluxo de petróleo na região e as pressões inflacionárias. Nos Estados Unidos, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam até 0,61%.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia usada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação, segundo o braço militar iraniano, respondeu aos ataques americanos a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
As embarcações, de acordo com a Guarda Revolucionária, “tentavam atravessar uma área proibida e insegura” do estreito de Hormuz. Antes da guerra, a passagem concentrava 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Juros e ativos brasileiros
As ações da Petrobras avançavam durante o pregão, acompanhando o petróleo, mas o movimento não impediu a queda da Bolsa. Os juros futuros também subiam, indicando uma trajetória mais elevada para a Selic. A taxa do DI para janeiro de 2035 avançava a 14,175%, ante 14,020% do ajuste da sessão anterior, alta de 15 pontos-base.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirmou que o avanço do Brent acima de US$ 100 reduziu o apetite global por risco, penalizando ativos emergentes e impulsionando as taxas dos Treasuries norte-americanos.
Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira havia sido favorecida pela valorização das commodities e pelo fluxo de capital estrangeiro. O conflito, porém, passou a ampliar a cautela em relação ao Brasil. Para Fernando Saad Bernardes, estrategista global da Avenue, a alta do petróleo, que vinha ajudando o Ibovespa pelos termos de troca, não produziu o mesmo efeito nesta sessão.
Política brasileira
O mercado também acompanhou pesquisas eleitorais e os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal. Durante o feriado de 7 de setembro, levantamento da Quaest mostrou Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro empatados numericamente, com 41% das intenções de voto cada um em uma simulação de segundo turno. A margem de erro era de dois pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada na última terça-feira apontou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno. Na semana passada, os percentuais eram de 37% e 31%, respectivamente.
A crise no Supremo ganhou novo capítulo após mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicarem a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A retirada do sigilo da investigação, determinada pelo ministro André Mendonça, revelou que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país antes de ser preso pela PF.
Mendonça também havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada do setor de inteligência. Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino reintegrou os dois aos cargos.
Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a crise reforça a percepção de instabilidade institucional e pode elevar os prêmios de risco e pressionar o real. O ambiente político também pode mudar as expectativas para a eleição de 2026.








