A escalada dos confrontos no Oriente Médio levou o petróleo Brent ao maior valor desde 22 de maio. O barril, referência mundial, atingiu US$ 101,55 nesta quarta-feira, com alta de 3,71%, em meio a ataques envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados na região.
A cotação havia cruzado US$ 100 por volta das 4h15, no horário de Brasília, quando chegou a US$ 100,15. O nível não era alcançado desde 25 de maio, quando o barril estava em US$ 100,73. Às 12h30, o preço recuava para US$ 101,23, ainda com valorização de 3,38%.
No mesmo horário, o petróleo WTI, referência usada nos EUA, subia 3,60%, negociado a US$ 96,38. Para Kathleen Brooks, analista da XTB, a marca de US$ 100 pode pressionar as autoridades monetárias. “O patamar de US$ 100 é um nível psicológico que tem peso nos mercados”, afirmou.
Ataques ampliam risco para o transporte de petróleo
A Guarda Revolucionária do Irã informou ter atacado dez navios e lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia usada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação foi apresentada como resposta aos ataques americanos contra cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
O Centcom, Comando Central das Forças Armadas dos EUA, divulgou um vídeo dos bombardeios e os classificou como reação a ofensivas iranianas realizadas na terça-feira. Nos dois dias anteriores, o Irã havia atacado duas vezes um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos. Autoridades americanas disseram que nenhum norte-americano ficou ferido.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou durante visita à Colômbia que o Irã perderia petroleiros caso continuasse tentando atacar embarcações da Marinha americana.
Segundo o braço militar do regime iraniano, os dez navios atingidos, dois deles norte-americanos, “tentavam atravessar uma área proibida e insegura” do estreito de Hormuz. Antes da guerra, a passagem concentrava 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O Irã também ameaçou atingir petroleiros nos portos do Kuwait e do Bahrein, conforme comunicado divulgado pela mídia estatal. Os houthis, aliados dos iranianos, atacaram cidades da Arábia Saudita na terça-feira e ameaçaram embarcações no Mar Vermelho, rota alternativa ao estreito de Hormuz.
Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram suas projeções para o preço do petróleo bruto nos últimos dias. As negociações para um acordo de paz estão praticamente estagnadas há três semanas.








