SÃO PAULO — O dólar à vista encerrou esta sexta-feira, 25, em queda de 0,23%, a R$ 5,1817, após oscilar perto da estabilidade durante a tarde. Na semana, porém, a moeda acumulou alta de 1,10%. O real acompanhou apenas parcialmente a desvalorização do dólar no exterior, em meio à cautela antes do fim de semana e à sazonalidade desfavorável do fechamento de trimestre.
Nos últimos cinco pregões, a moeda brasileira teve desempenho melhor que o de outros pares, em um período marcado pela alta do dólar e dos juros dos Treasuries. O movimento foi associado a indicadores fortes da economia dos Estados Unidos e a declarações firmes de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Os pesos colombiano, mexicano e chileno acumularam perdas entre 2% e 4% na semana.
Exterior e cenário eleitoral
O índice DXY, que mede o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, rompeu o piso dos 101,000 pontos e rondava os 100,998 pontos no fim da tarde, após mínima aos 100,872 pontos. O Dollar Index acumulou ganho de cerca de 0,80% na semana e alta superior a 1,50% em setembro.
O petróleo também esteve no centro das negociações. O Brent para dezembro caiu 2,77%, a US$ 97,44, abaixo de US$ 100, com relatos de avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A queda da commodity reduziu parte das pressões inflacionárias globais.
No Brasil, investidores acompanharam as pesquisas eleitorais e as perspectivas para a política fiscal. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no primeiro e no segundo turno, com o presidente numericamente à frente nas duas rodadas. Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, afirmou que o cenário eleitoral ajudou a amortecer o impacto externo sobre o real.
O Itaú manteve projeção de câmbio em R$ 5,30 neste ano e R$ 5,50 em 2027. Em relatório, a equipe comandada por Diogo Guillen afirmou que o desempenho do real foi favorecido por termos de troca e por uma percepção de risco local mais construtiva, mas destacou a pressão exercida pelo dólar mais forte e pelos juros elevados nos Estados Unidos.
Bolsa e juros
O Ibovespa recuou 0,27%, aos 183.476,86 pontos. O giro financeiro das ações do índice foi de R$ 15 bilhões. Na semana, o indicador caiu 0,95%; no mês, ainda acumula alta de 3,41%.
As ações da Petrobras recuaram mais de 2%, pressionadas pela queda do petróleo. O movimento foi parcialmente compensado pela alta dos papéis da Vale, dos bancos e das maiores empresas de utilities.
Nos juros futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,561% para 13,550%. O DI para janeiro de 2029 recuou para 13,83%, ante 13,861%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 passou de 14,015% para 13,925%.
A alta de 0,70% do IPCA-15, divulgada na abertura dos negócios, superou o teto das estimativas, de 0,66%. A leitura limitou movimentos mais fortes nos mercados, em um ambiente de menor disposição dos investidores para assumir risco antes da semana que antecede a eleição.








