SÃO PAULO — O dólar à vista subiu 0,88% nesta quinta-feira, 1º de outubro, e encerrou o primeiro pregão do mês a R$ 5,2204. A moeda chegou a R$ 5,2374 durante a tarde, em meio ao fortalecimento global do dólar e à alta do petróleo, que ampliou as preocupações com a inflação.
O Brent para dezembro fechou em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril. As cotações aceleraram após informações de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende retomar os bombardeios ao Irã em novembro. Também permaneceu no radar a possibilidade de os Estados Unidos limitarem as exportações de diesel e a pressão sobre a União Europeia para liberar estoques do derivado.
O real teve desempenho melhor que outras moedas emergentes. O peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano recuaram entre 1,20% e 1,70%. No ano, a moeda brasileira está entre as de melhor desempenho nesse grupo, atrás apenas do won sul-coreano e do peso colombiano.
Eleição e cenário externo
A proximidade do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4, também influenciou os ativos domésticos. Analistas avaliaram que um bom desempenho de Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República pelo PL, poderia provocar um rali dos ativos locais. A vitória da oposição é vista como um possível fator de redução dos prêmios de risco associados ao quadro fiscal.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirmou que a questão eleitoral divide espaço com o avanço das commodities agrícolas, os possíveis efeitos do El Niño e a valorização do petróleo. Para Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, o movimento cambial foi principalmente externo, com o dólar avançando ante todas as moedas.
No período da noite, os investidores acompanhavam a nova pesquisa Datafolha e o debate presidencial na TV Globo, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo horário, Lula participaria de uma entrevista ao Flow Podcast.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,58% perto do fim da tarde, aos 102,040 pontos, depois de atingir 102,207 pontos. O indicador acumulava alta de cerca de 1% na semana e operava nos maiores níveis desde março de 2025. No ano, a alta era superior a 3,80%.
Bolsa e juros
O Ibovespa subiu 0,46%, aos 187 197,46 pontos. O índice atingiu 187.436,73 pontos na máxima e 184.767,78 pontos na mínima. O giro financeiro foi de R$ 26 bilhões, e a alta acumulada no ano chegou a 16,2%.
A valorização do petróleo apoiou as ações da Petrobras e ajudou a sustentar o índice. Ao mesmo tempo, a proximidade das eleições manteve a cautela entre os investidores. Igor Monteiro, CEO da plataforma de investimentos EqSeed, afirmou que a alta da commodity deu suporte aos papéis da estatal, mas que o ambiente internacional elevou a sensibilidade dos ativos locais aos movimentos externos.
Os juros futuros negociados na B3 terminaram em alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 passou de 13,55%, no ajuste anterior, para 13,559%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,764% para 13,800%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 subiu de 13,945% para 14,005%.
No exterior, o rendimento da T-Note de 2 anos recuou de 4,88% para 4,793%, e o da T-Note de 10 anos caiu de 5,291% para 5,238%. A curva americana passou a registrar queda depois de John Williams e Philip Jefferson, dirigentes do Federal Reserve, indicarem que uma eventual alta de juros nos Estados Unidos pode demorar mais.
A inflação e a política monetária americana continuaram no centro das avaliações. André Galhardo destacou que a divulgação do PCE, índice de preços de gastos com consumo, abaixo do esperado reduziu as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve em outubro, embora os riscos inflacionários associados à guerra tenham permanecido relevantes. Pela manhã, a taxa da T-note de 10 anos havia alcançado o maior nível em 24 anos.
Para os investidores, a eleição continuava como fator de volatilidade para o câmbio, os juros e a Bolsa. Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, avaliou que o período até a votação seria marcado por cautela, com dólar e juros incorporando prêmio de risco. O relatório do BTG Pactual também recomendou ponderação na alocação, diante do ambiente externo adverso para emergentes e da perspectiva bidirecional para os ativos domésticos.







