São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

CGU aponta assinaturas posteriores em 93,3% dos consignados do Banco Master

Auditoria identificou contratos do Master iniciados antes da assinatura de beneficiários do INSS e falhas na validação biométrica.

CGU aponta assinaturas posteriores em 93,3% dos consignados do Banco Master

Em 93,3% dos contratos de crédito consignado analisados do Banco Master, a vigência começou antes da assinatura dos beneficiários do INSS. O levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU) examinou 165.990 contratos firmados entre 2019 e 2025 e encontrou assinaturas posteriores ao início da validade em 154.867 casos.

Em 2,8% das ocorrências, a assinatura apareceu no dia seguinte ao começo do contrato. Em outros 90,5%, foi registrada dois dias ou mais depois. Entre as 53 instituições financeiras avaliadas, o Master apresentou a maior proporção desse indício de irregularidade.

A CGU afirma que a autorização do crédito consignado e a formalização dos descontos sobre aposentadorias dependem de manifestação expressa do beneficiário, com assinatura e reconhecimento biométrico. Sem a comprovação, a averbação do contrato não deveria ser aceita.

Os auditores ressalvaram que parte dos casos pode decorrer de erros no preenchimento das informações. “Essas situações podem gerar distorções no cálculo dos valores financiados e das dívidas dos clientes”, afirmaram. Segundo a Controladoria, os registros dificultam a identificação da data efetiva de vigência dos contratos.

Falhas na validação e contratos após a morte

A auditoria também apontou insuficiência na validação biométrica de contratos eletrônicos do Master. O problema foi identificado em 62,4% dos contratos, terceira maior proporção entre os bancos analisados. A validação deveria ocorrer por meio de consulta a bases biométricas do governo.

A CGU identificou ainda 110.128 contratos assinados com CPFs de pessoas que já haviam morrido, associados a 48.945 CPFs distintos. O conjunto representa 0,05% do universo analisado e envolve 62 instituições financeiras, incluindo o Master.

O órgão concluiu haver fragilidades no bloqueio de benefícios, falhas de controle sobre as operações financeiras, insuficiência dos mecanismos implementados pelo INSS e problemas sistêmicos nos acordos de cooperação técnica usados no crédito consignado.

Credcesta e resposta do INSS

O Banco Master é alvo de investigação do Ministério Público Federal no Distrito Federal sobre possíveis fraudes no crédito consignado destinado a beneficiários do regime geral de previdência. A apuração inclui o Credcesta, cartão que oferecia benefícios como desconto em farmácia e auxílio-funeral.

A auditoria, concluída em julho e divulgada no último dia 8, incluiu o cartão consignado de benefício, modalidade na qual o Credcesta se enquadra. As conclusões reforçam indícios relacionados à operação do banco de Daniel Vorcaro.

Em nota, o INSS informou que não mantém relação com o Master há mais de um ano. O acordo de cooperação técnica foi encerrado em setembro de 2025, após cinco anos de vigência. O órgão disse ter cobrado documentos e explicações do banco e afirmou que instaurou processos e celebrou termos de compromisso para apurar os casos.

“O INSS tem aprimorado os processos relacionados ao crédito consignado nos últimos meses”, declarou o órgão. A instituição também informou a adoção de bloqueios automáticos para impedir operações em situações de óbito.

Em 2025, 37,8% dos benefícios do INSS tinham descontos referentes a algum tipo de crédito consignado. Esses descontos somaram R$ 108 bilhões no ano. O INSS havia informado ao MPF, em maio, que não dispunha de elementos suficientes para dimensionar a existência, a extensão e a liquidez de créditos de aposentados e pensionistas possivelmente afetados por fraudes atribuídas ao Master. No caso do Credcesta, a limitação seria maior, com suspeitas de descontos indevidos, fraudes contratuais e dúvidas sobre o consentimento dos beneficiários.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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