São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

PF aponta atuação de Augusto Lima em operações de crédito do Master com o BRB

Documentos atribuem ao ex-sócio do Master participação na criação de carteiras e apontam pagamentos à empresa sob seu controle.

PF aponta atuação de Augusto Lima em operações de crédito do Master com o BRB

Mensagens e registros financeiros citados pela Polícia Federal indicam que Augusto Lima teria atuado nas negociações entre o Banco Master e o BRB, incluindo pedidos para liberar recursos ao banco do Distrito Federal. A investigação também relaciona pagamentos feitos pelo Master à Terra Firme, empresa controlada pelo empresário, a períodos de sua atuação junto ao BRB.

O caso envolve R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que o BRB comprou e que são consideradas falsas pela PF. Uma auditoria mencionada na petição estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo do banco público com esses ativos. Os documentos ficaram públicos depois da retirada do sigilo na quinta-feira (10).

Mensagens e pagamentos

A petição registra que Augusto Lima e Henrique Peretto, apontado como controlador e dono da Tirreno, trocaram mensagens para participar de uma reunião com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, em 28 de maio de 2025.

A PF afirma ainda que Daniel Vorcaro recorria pessoalmente a Lima para obter recursos no BRB. A representação descreve que o ex-banqueiro preso pedia ao empresário que interviesse para que o banco público realizasse pagamentos ao Master.

Os investigadores também analisaram transferências do Master para a Terra Firme. Os pagamentos eram formalmente apresentados como remuneração por serviços, mas a PF considera que podem indicar desvio de recursos. Valores superiores a R$ 3 milhões teriam coincidido, em vários momentos, com interferências atribuídas a Lima para viabilizar o pagamento das carteiras.

Entre os registros está uma nota fiscal de R$ 3.665.962,47 enviada em 29 de agosto de 2024. Em 7 de abril de 2025, outras duas notas somaram R$ 7.000.192,59, com valores de R$ 3.334.230,12 e R$ 3.665.962,47.

Origem das carteiras

As operações questionadas envolviam crédito consignado. As carteiras foram adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno, criada em dezembro de 2024 e prestadora de serviços ao banco de Vorcaro entre janeiro e junho de 2025.

Parte dos empréstimos havia sido contratada por meio de associações de servidores públicos da Bahia. Posteriormente, essas operações foram relacionadas a Lima. O empresário é associado à criação do Credcesta, cartão de benefício consignado lançado para servidores públicos da Bahia em 2018 e posteriormente disseminado pelo Master para 24 estados e 176 municípios.

Na petição, a PF afirma que, a partir de janeiro de 2025, as carteiras “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”.

O documento também aponta que o BRB já identificava problemas nas carteiras em novembro de 2024. Em conversas entre Paulo Henrique Costa e Dário Garcia, então diretor de finanças e controladoria do banco, os investigadores encontraram uma carteira Credcesta com valor contábil de R$ 179,6 milhões. Desse total, apenas R$ 110 milhões foram considerados aptos, uma redução de quase 40%.

Segundo a polícia, o episódio indicaria inconsistências no material encaminhado pelo Master. Em outra frente, Dário, com aval de Paulo Henrique, teria trabalhado para elevar de 4% para 5% o limite de inadimplência aceito nas carteiras. A proposta também previa novas compras em partes, chamadas de tranches, sem reiniciar todo o processo de aprovação.

Investigação e defesa

Augusto Lima foi preso em novembro na Operação Compliance Zero, ao lado de Daniel Vorcaro e outros executivos, sob suspeita de envolvimento nas fraudes. Ele foi solto 11 dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica.

A petição tem 82 páginas e traz, ao final, a data de 3 de fevereiro de 2025. A assinatura digital da delegada da Polícia Federal aparece registrada em 18 de fevereiro de 2026. O documento foi encaminhado a André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, que assumiu a relatoria do caso no tribunal em 12 de fevereiro. A PF pedia autorização para quebrar os sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e aprofundar as apurações.

A defesa de Lima rejeitou as acusações e afirmou que não há fundamento para atribuir a ele os ilícitos investigados. Também negou que o empresário tenha tratado com representantes do BRB sobre carteiras falsas ou participado das negociações.

Os advogados disseram que Lima deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do Banco Central. A operação policial ocorreu em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois do desligamento, segundo a defesa.

A defesa afirmou ainda que havia contrato regular para os serviços prestados pela Terra Firme e que a PF já teria afastado, em relatório, a alegação relacionada às associações. Para os advogados, os pagamentos não podem ser interpretados como desvio apenas em razão dos valores envolvidos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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