São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

PF aponta R$ 17 bilhões em operações fictícias entre Master e BRB

Investigação descreve documentos falsos, créditos sem lastro e pagamento de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB.

PF aponta R$ 17 bilhões em operações fictícias entre Master e BRB

A Polícia Federal identificou uma estrutura que usava a empresa Tirreno para criar e movimentar ativos de crédito vendidos pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a investigação, as operações consideradas fictícias ou sem consistência material somaram cerca de R$ 17 bilhões.

O esquema teria incluído a geração automatizada de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) com CPFs retirados de bases antigas, além da fabricação de procurações em nome de clientes que não autorizaram os empréstimos. A PF encontrou 2,7 mil documentos desse tipo e estima que 1.785 tenham sido encaminhados ao BRB em operações atribuídas à Tirreno.

Como funcionava a estrutura

A empresa era usada para repassar créditos ao Master, que posteriormente os vendia ao BRB. A investigação afirma que o banco de Daniel Vorcaro não tinha histórico nem capacidade operacional para produzir, por conta própria, o volume de crédito consignado necessário para sustentar as transações.

De acordo com os investigadores, o Master enfrentou problemas de liquidez mais graves a partir de 2024 e passou a vender carteiras ao BRB para obter recursos. A aprovação das aquisições pela diretoria do banco estatal ocorria com trâmite acelerado, mesmo diante de pareceres jurídicos que recomendavam consulta ao Conselho de Administração.

A PF também calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do BRB para operações incompatíveis com a solidez da instituição. Em um dos documentos, a polícia afirma que houve “produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada”.

Suspeitas envolvendo executivos

A investigação apontou uma propina de R$ 146,5 milhões paga por Vorcaro ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O pagamento teria sido operacionalizado por meio da compra de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. A PF classificou a conduta atribuída ao ex-presidente como prática de corrupção explícita.

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dos arquivos que reúnem as conclusões da polícia. Vorcaro, dono do Master, e Costa estão presos. A defesa de Vorcaro não comentou, enquanto os advogados de Costa não haviam sido localizados até a publicação das informações.

Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central rejeitou a negociação. Depois, a instituição de Vorcaro foi liquidada. O BRB ficou com um prejuízo bilionário, ainda não totalmente calculado nem coberto.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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