SÃO PAULO — A Polícia Federal identificou uma estrutura que usava a empresa Tirreno para criar e movimentar ativos de crédito vendidos pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a investigação, as operações consideradas fictícias ou sem consistência material somaram cerca de R$ 17 bilhões.
O esquema teria incluído a geração automatizada de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) com CPFs retirados de bases antigas, além da fabricação de procurações em nome de clientes que não autorizaram os empréstimos. A PF encontrou 2,7 mil documentos desse tipo e estima que 1.785 tenham sido encaminhados ao BRB em operações atribuídas à Tirreno.
Como funcionava a estrutura
A empresa era usada para repassar créditos ao Master, que posteriormente os vendia ao BRB. A investigação afirma que o banco de Daniel Vorcaro não tinha histórico nem capacidade operacional para produzir, por conta própria, o volume de crédito consignado necessário para sustentar as transações.
De acordo com os investigadores, o Master enfrentou problemas de liquidez mais graves a partir de 2024 e passou a vender carteiras ao BRB para obter recursos. A aprovação das aquisições pela diretoria do banco estatal ocorria com trâmite acelerado, mesmo diante de pareceres jurídicos que recomendavam consulta ao Conselho de Administração.
A PF também calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do BRB para operações incompatíveis com a solidez da instituição. Em um dos documentos, a polícia afirma que houve “produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada”.
Suspeitas envolvendo executivos
A investigação apontou uma propina de R$ 146,5 milhões paga por Vorcaro ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O pagamento teria sido operacionalizado por meio da compra de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. A PF classificou a conduta atribuída ao ex-presidente como prática de corrupção explícita.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dos arquivos que reúnem as conclusões da polícia. Vorcaro, dono do Master, e Costa estão presos. A defesa de Vorcaro não comentou, enquanto os advogados de Costa não haviam sido localizados até a publicação das informações.
Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central rejeitou a negociação. Depois, a instituição de Vorcaro foi liquidada. O BRB ficou com um prejuízo bilionário, ainda não totalmente calculado nem coberto.







