São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

PF não identifica destino de R$ 6,2 milhões recebidos por entidade ligada a filme

A ANC recebeu R$ 6.175.273,64 de empresas ligadas à produtora de “Dark Horse”, mas declarou movimentação inferior ao valor identificado.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não identificou o destino de R$ 6.175.273,64 recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

Os valores foram transferidos entre julho de 2024 e dezembro de 2025 por quatro empresas que, no mesmo período, haviam recebido recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligado a Karina Gama. As operações constam de Relatórios de Inteligência Financeira elaborados pelo Coaf.

A investigação considera relevante a diferença entre os recursos identificados nas comunicações financeiras de terceiros e a movimentação informada pela própria ANC. No relatório da entidade, aparecem R$ 1,1 milhão em transações realizadas entre maio de 2025 e maio de 2026: R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Diferença nos registros financeiros

Para a PF, a discrepância pode indicar a existência de outras contas bancárias da associação, que não teriam sido informadas ao Coaf. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação realizada na quinta-feira (10), também registra a diferença entre os dados declarados pela ANC e os valores apontados por outras instituições.

A apuração examina se houve uma triangulação de recursos públicos para financiar “Dark Horse”. O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mario Frias (PL) e R$ 108 milhões em contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi. A suspeita é que parte desses recursos tenha circulado entre empresas e entidades vinculadas a Karina Gama, incluindo a ANC e a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil de São Paulo também investiga o caso. Uma das linhas de apuração verifica se o ICB usou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas com verba municipal.

A investigação ganhou força depois que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou ter pedido recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre o pai. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados. A PF apura se, além desses recursos privados, houve desvio de dinheiro público para a produção.

Emendas e defesa

A ANC também aparece em repasses destinados a uma série documental sobre heróis nacionais. O projeto recebeu R$ 2,6 milhões em emendas de Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro.

Em 2024, os recursos foram enviados por emenda Pix ao governo de São Paulo, com a ANC como destino final. A PF afirma que as emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não foram transferidas pelo governo paulista à associação por problemas normativos e técnicos na formalização da parceria. Em 2025, o deputado estadual paulista Gil Diniz (PL) destinou R$ 200 mil ao projeto, pagos em agosto daquele ano.

Outra frente apura se parte do dinheiro repassado por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que busca apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

A defesa de Karina Gama declarou que ela está “contribuindo espontânea e voluntariamente” com as investigações. Os advogados afirmaram que, a pedido da PF, a empresária entregou mais de 20 mil laudas de documentos. Neste domingo (13), a defesa considerou positiva a retirada do sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e reiterou que Karina Gama não praticou ilícito.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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