A cientista Timnit Gebru recebeu o prêmio Right Livelihood por seu trabalho em favor de tecnologias digitais baseadas na justiça. Conhecida como “Nobel alternativo”, a premiação também reconheceu a atuação da pesquisadora contra preconceitos em sistemas de inteligência artificial.
O júri destacou a decisão de Gebru de questionar a concentração de poder no setor de tecnologia. A entidade justificou a escolha por ela “abrir caminho para tecnologias digitais baseadas na justiça”.
Pesquisa sobre preconceitos
Gebru foi demitida pelo Google depois de se recusar a retirar conclusões de um estudo sobre tendências racistas e sexistas em modelos de linguagem. Em 2020, quando fazia parte da direção da equipe de ética da empresa, ela foi uma das autoras do artigo. Segundo o júri do Right Livelihood, o Google pediu que a pesquisadora se retratasse dos resultados.
Depois de deixar a empresa, Gebru aprofundou sua pesquisa sobre o tema e criou o DAIR, um centro dedicado a analisar os preconceitos provocados por sistemas de inteligência artificial na vida de pessoas afetadas por discriminação e exclusão.
O trabalho da cientista por mais representatividade ganhou impulso em 2017, com a fundação da ONG Black in AI. A iniciativa busca ampliar a presença e a visibilidade de pessoas negras na área de inteligência artificial.
Outros premiados
Gebru foi uma das quatro homenageadas pelo Right Livelihood nesta edição. Também receberam o prêmio Jalila Haider, advogada paquistanesa que atua contra perseguições étnicas, estatais e patriarcais; a Rural Women’s Assembly (RWA), movimento ecofeminista que reúne mais de 178 mil pequenas agricultoras de 11 países do sul da África; e a Georgian Young Lawyers Association (GYLA), reconhecida por sua contribuição à construção e à preservação da democracia georgiana.
Entre as ações destacadas está a mobilização da RWA em defesa do acesso de mulheres à terra e às sementes diante de empresas e do patriarcado.
Criado em 1980 pelo alemão-sueco Jakob von Uexküll, o Right Livelihood surgiu depois que a Fundação Nobel rejeitou a proposta de criar dois prêmios voltados ao meio ambiente e ao desenvolvimento. A premiação de Gebru reforça o debate sobre os preconceitos presentes na inteligência artificial e seus impactos sobre pessoas sujeitas à discriminação e à exclusão.







