A Form Energy, startup dos Estados Unidos, captou US$ 750 milhões em uma nova rodada de financiamento para expandir sua produção de baterias de ferro-ar. Com a operação, a empresa soma mais de US$ 2 bilhões levantados desde a fundação.
As baterias foram projetadas para armazenar energia por até 100 horas, período superior ao de sistemas tradicionais de íon-lítio. A proposta é atender redes elétricas submetidas a períodos de alta demanda e a interrupções que podem durar dias.
Como funciona a tecnologia
O sistema utiliza ferro, água e ar. Durante o processo, as baterias absorvem oxigênio e transformam ferro em ferrugem. Na etapa inversa, convertem a ferrugem novamente em ferro e liberam oxigênio. A empresa chama esse mecanismo de “ferrugem reversível”.
A nova rodada será usada para ampliar a fábrica da Form Energy em Weirton, na Virgínia Ocidental, e financiar a primeira fase de projetos comerciais. Entre eles está uma colaboração da concessionária Xcel Energy com o Google, da Alphabet.
O CEO e cofundador Mateo Jaramillo compara a aplicação das baterias às usinas termelétricas a gás conhecidas como “peaker units”. Essas usinas entram em operação em um número relativamente pequeno de dias por ano, geralmente quando as temperaturas elevam a demanda e pressionam a rede elétrica. “Em várias maneiras, o que criamos é um ‘e-peaker’, uma peaker elétrica”, disse Jaramillo.
Projetos para redes e data centers
O backlog de projetos da Form Energy passou de 20 gigawatt-hora para 80 gigawatt-hora neste ano. O maior contrato, firmado com a Xcel Energy, prevê 300 megawatts em baterias para reforçar a rede e atender um centro de dados do Google planejado para Pine Island, em Minnesota. O sistema terá capacidade de armazenar e fornecer 30 gigawatts-hora.
A Crusoe, que constrói data centers de inteligência artificial para empresas como Oracle e Meta, espera utilizar 12 gigawatt-hora das baterias da Form a partir de 2028. A desenvolvedora de energia renovável FuturEnergy Ireland também trabalha com a startup em um sistema de baterias ferro-ar previsto para o noroeste da Irlanda até 2029.
Para Vineet Khanna, analista de investimentos e vice-presidente da T. Rowe Price, as baterias podem absorver eletricidade de usinas nucleares que continuam funcionando quando os preços de atacado caem. O armazenamento prolongado, segundo ele, aumenta o valor da infraestrutura já construída.
Cadeia de suprimentos e investidores
A Form Energy afirma obter cerca de 80% dos materiais necessários para suas baterias nos Estados Unidos. O restante vem da Europa e da Ásia. Jaramillo declarou: “Temos zero dependência da China”.
Participaram da rodada T. Rowe Price, Sequoia Capital, Janus Henderson, Franklin Templeton, TPG Rise Climate, Dustin Moskovitz e Cari Tuna, Coatue Management e GE Vernova.
Os fundadores também têm experiência no setor. Jaramillo participou do desenvolvimento do Powerwall, sistema de armazenamento da Tesla, e dos primeiros powertrains da montadora. Yet-Ming Chiang, professor do MIT, é cofundador da A123 Systems, empresa pioneira em baterias de lítio.
A Form Energy afirma que a tecnologia pode atender à necessidade de armazenamento por dias, especialmente em projetos ligados à expansão de data centers de inteligência artificial. No Brasil, o texto cita o potencial de fontes hidrelétrica, eólica e solar, além da necessidade de soluções para a intermitência das renováveis e a dependência de reservatórios durante períodos de seca. Também menciona um data center da ByteDance previsto para o Ceará, alimentado por energia eólica.







