As escolas brasileiras ampliaram as restrições ao uso de celulares. Em 2025, 81% dos estudantes estavam matriculados em unidades que não permitiam os aparelhos nas dependências, ante 37% em 2022. Na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os percentuais foram de 49% e 34%, respectivamente.
Os dados fazem parte do Pisa 2025, divulgado pela OCDE nesta terça-feira (8). O programa é aplicado a cada três anos para avaliar conhecimentos em leitura, matemática e ciências.
A proibição aparece associada a menor distração. Na média dos países da organização, alunos de escolas com restrição a celulares tinham probabilidade cerca de 13% menor de relatar distrações provocadas por dispositivos digitais. No Brasil, 25% disseram que os colegas se distraíam frequentemente com esses equipamentos durante a maioria ou todas as aulas de ciências; na OCDE, o índice foi de 28%.
Uso de chatbots e rotina escolar
O levantamento também investigou pela primeira vez o uso de inteligência artificial nas atividades escolares. Entre os brasileiros de 15 anos, 48% disseram recorrer a chatbots, como o ChatGPT, pelo menos uma vez por semana para estudar. A média da OCDE foi de 46%.
A ferramenta era usada por 40% dos estudantes no Brasil para fazer pesquisas iniciais sobre temas novos, contra 31% na média da organização. Para resumir textos, os índices foram de 31% e 30%. No preparo de versões preliminares de trabalhos escolares, o resultado brasileiro foi de 27%, abaixo dos 29% da OCDE. Já 11% dos alunos brasileiros afirmaram nunca ou quase nunca usar chatbots nas atividades analisadas; na organização, foram 14%.
Os estudantes brasileiros relataram usar dispositivos digitais na escola por 1,3 hora diária em atividades de aprendizagem, enquanto a média da OCDE chegou a 1,7 hora. Para tarefas sem relação com o aprendizado, a média no Brasil foi de 1 hora, ante 1,1 hora na OCDE.
Bullying e desempenho
Em 2025, 17% dos estudantes brasileiros disseram ter sofrido ao menos uma forma de bullying algumas vezes por mês ou mais. O índice ficou abaixo dos 20% registrados na OCDE. Entre 2022 e 2025, não houve mudança significativa no Brasil, enquanto o problema cresceu na grande maioria dos países e economias participantes.
Relatos de cyberbullying foram menos frequentes: 3% dos estudantes brasileiros afirmaram que informações prejudiciais ou incômodas haviam sido publicadas sobre eles na internet sem autorização nos 12 meses anteriores à aplicação do Pisa. A média da OCDE também foi de 3%.
No desempenho acadêmico, 48% dos brasileiros chegaram ao nível 2 ou acima em ciências, contra 74% na OCDE. Em matemática, foram 28%, ante 65%; em leitura, 49%, diante de 69%.
Nos níveis mais altos, 1% dos estudantes brasileiros atingiu as faixas 5 ou 6 em ciências, contra 7% na OCDE. Em matemática, praticamente nenhum alcançou esses níveis, enquanto a média da organização foi de 8%. Em leitura, 1% chegou ao nível 5 ou superior, ante 6% na OCDE.







