O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. Na decisão, Mendonça afirmou que a área de inteligência da PF promoveu vigilância institucional contra autoridades.
Segundo o ministro, houve monitoramento sistemático e coleta dirigida sobre o próprio relator do caso Master no STF e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, durante mais de 30 dias. Mendonça comparou a atuação descrita nos documentos a regimes totalitários e citou o livro “1984”, de George Orwell.
“...verdadeira arapongagem institucional”, escreveu o ministro ao avaliar a produção e a circulação dos documentos. Em outro trecho, afirmou que os fatos revelados eram de extrema gravidade.
Críticas aos documentos da PF
Mendonça classificou os materiais produzidos pela Polícia Federal como tecnicamente frágeis, com conteúdo surreal e “elucubrações estapafúrdias”. Também afirmou que os documentos eram amorfos e constituíam um “nada jurídico”.
A decisão menciona manifestações públicas de entidades representativas de carreiras técnicas, que teriam apontado vícios na documentação. Para o ministro, essas avaliações reforçariam a falta de consistência técnica dos relatórios.
O embate ocorreu depois que, na última quinta-feira, 3, Alexandre de Moraes divulgou trechos de um relatório de inteligência da PF. A publicação ocorreu dois dias após Moraes levantar o sigilo das investigações sobre a relação entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento, definido como sem valor probatório, afirma que Mendonça demonstrava interesse no início de uma investigação formal sobre o Banco Master e o escândalo do INSS. Moraes usou o relatório para acusar o ministro de crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade.
O material não tinha cabeçalho oficial da PF nem assinatura. Também reunia relatos anônimos segundo os quais Mendonça teria tentado interferir no andamento de acordos de delação da PF no caso INSS. O relatório ainda dizia, sem identificar a fonte, que o ministro não confiava na atuação do diretor-geral da corporação nem na do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mendonça afirmou que a produção dos relatórios exigia providências imediatas para proteger as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial.







