O desempenho médio dos estudantes dos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) atingiu, no Pisa 2025, o menor nível já registrado nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática. Divulgada nesta terça-feira (8), a edição também mostra que o Brasil continua distante da média do grupo, sem mudanças relevantes nos resultados da última década.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes é aplicado a cada três anos para medir o desempenho de alunos de 15 anos. Em 2025, ciências foi a área com maior peso. Mais de 760 mil estudantes de 15 anos, de 91 países e regiões, fizeram a prova. No Brasil, participaram mais de 30 mil jovens.
Queda entre os países da OCDE
A média usada na comparação principal reúne 23 países que participam da organização desde o primeiro ciclo, em 2000. Em sua maioria, são nações mais desenvolvidas, e o Brasil não integra esse grupo.
Na avaliação mais recente, esses países tiveram média de 486 pontos em ciências, 466 em leitura e 469 em matemática. Em relação a 2006, a pontuação de ciências recuou 17 pontos. Na leitura, a queda foi de 29 pontos em duas décadas. Matemática teve a maior perda, de 32 pontos no período.
Considerando os 38 países que atualmente compõem a OCDE, as médias foram de 482 pontos em ciências, 461 em leitura e 463 em matemática.
A OCDE considera que uma diferença de 20 pontos corresponde à progressão de um ano de aprendizagem. Pela média dos países do grupo, os estudantes estão aprendendo um ano e meio a menos de conteúdo em matemática e leitura do que jovens da mesma idade aprendiam 20 anos atrás.
A parcela de estudantes com desempenho abaixo do esperado nas três áreas também aumentou. Em 2025, ela chegou a 29% entre os jovens de 15 anos dos países da OCDE, ante 25% em 2022.
O relatório atribui os resultados a uma queda contínua em muitos países depois do recuo “sem precedentes” observado em 2022. Em leitura, o desempenho caiu após atingir o pico por volta de 2012. Em ciências, a redução foi gradual ao longo da última década, enquanto matemática registrou queda especialmente acentuada depois de 2018.
Brasil mantém resultados próximos aos de 2015
O Brasil não apresentou oscilações significativas na última década. Em ciências, a média foi de 409 pontos, contra 401 pontos em 2015. Em matemática, o país repetiu a média de 377 pontos registrada dez anos antes. Em leitura, alcançou 408 pontos, apenas um acima do resultado de 2015.
O relatório afirma que a estabilidade dos resultados brasileiros se mantém há mais de uma década em todas as áreas. Ao mesmo tempo, destaca que, ao longo de 20 anos, o país reduziu a distância em relação às nações mais ricas enquanto ampliou o acesso de crianças à escola. Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE, citou o Brasil entre os exemplos positivos nesse período.
A proporção de brasileiros abaixo do desempenho esperado nas três áreas foi de 43,8%, acima dos 29% registrados na OCDE. Matemática concentrou o pior resultado: 72% dos jovens brasileiros ficaram abaixo do nível esperado, ante 35% na organização. O país ocupou a 71ª colocação entre as nações e economias analisadas.
Em ciências, 52% dos estudantes brasileiros não atingiram o patamar esperado, contra 26% na OCDE. Em leitura, a proporção foi de 51% no Brasil e 31% no grupo.
Desempenho internacional
Apesar de uma pequena melhora na média de ciências, o Brasil caiu para a 67ª posição, seis lugares abaixo do resultado de 2022. O país ficou atrás de Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.
As províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, identificadas como B-S-J-Z, lideraram ciências, com média de 597 pontos. Singapura ficou em segundo lugar, com 37 pontos a menos. Macau, na China, alcançou 541 pontos; Taipei, também na China, teve 540; e o Japão, 538.
As províncias B-S-J-Z também lideraram matemática, com 612 pontos. Em leitura, a primeira posição ficou com Singapura, com 535 pontos.
Além das áreas tradicionais, o Pisa 2025 avaliou a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais. O relatório registrou quedas acentuadas nas tarefas que exigem avaliar informações, refletir criticamente e integrar evidências. Também aumentaram os casos de respostas rápidas e incorretas, classificados como “leitura apressada”.







