BRASÍLIA — Daniel Vorcaro participou, em 31 de janeiro de 2024, de um almoço promovido pelo Grupo Esfera em homenagem ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O encontro reuniu cerca de 40 empresários, políticos e advogados e foi organizado por João Camargo, presidente do Conselho de Administração do grupo, e pela CEO, Camila Camargo.
A lista de convidados identificava Vorcaro como sócio do Banco Master. Também participaram Fábio Faria, empresário e ex-ministro do governo Bolsonaro; João Otávio Noronha, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); ministros do governo Lula; integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e deputados federais.
No evento, Gonet fez um breve discurso e elogiou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estava presente. “Todos temos um modelo, e o modelo de todo jurista deve ser Gilmar Mendes”, afirmou. Gonet e Gilmar são amigos de longa data.
A relação entre Gonet e Vorcaro foi discutida pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal. Nesta sexta-feira, 25, o colegiado arquivou um pedido de investigação contra o procurador-geral por causa de uma suposta ligação com o banqueiro e manteve Gonet à frente das apurações sobre o Banco Master.
Entre os elementos analisados estava uma mensagem enviada em 19 de junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares a Vorcaro, acompanhada de uma foto dos dois com Gonet durante uma degustação de charutos em Londres. “PG mandou agora”, escreveu Soares na sequência. Ele intermediava conversas entre o procurador-geral e o banqueiro.
Mensagens de Gonet para Soares indicam, segundo a Polícia Federal, que o procurador disse ter “saudade” de Vorcaro e o chamou de “máquina”. Outras mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram pedidos para que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, e a Gonet em relação às investigações sobre negócios fraudulentos do Master.
Gonet afirma que não tinha relação de amizade com Vorcaro. A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República e o Grupo Esfera não haviam se manifestado até a publicação das informações.







