São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Gonet contesta mensagens e detalha atuação no caso Banco Master

Manifestação ao Conselho Superior do MPF descreve contatos com Daniel Vorcaro e rejeita acusação de interferência nas investigações.

Gonet contesta mensagens e detalha atuação no caso Banco Master
Foto: Ton Molina/STF

A manifestação de Paulo Gonet ao Conselho Superior do Ministério Público Federal concentra-se nas mensagens atribuídas a ele, nos contatos com Daniel Vorcaro e nas medidas adotadas durante as investigações envolvendo o Banco Master. O procurador-geral da República afirma que não mantinha relação de proximidade com o banqueiro e que seu único contato telefônico ocorreu por intermédio do advogado Ciro Soares.

Gonet relata que conheceu Vorcaro em um evento realizado em Londres, em abril de 2024. Ele também menciona uma conversa em 15 de março de 2025, quando estava com Ciro Soares, que ligou para o banqueiro e lhe passou o telefone. Segundo o procurador, a saudação foi breve, motivada pelo advogado e sem relação com suas atribuições profissionais.

Mensagens e contatos

Um dos pontos discutidos é a frase “você é uma máquina”, que investigadores atribuíram a Gonet em uma mensagem enviada a Vorcaro. O procurador afirma que o destinatário era Ciro Soares, e não o banqueiro, e diz que a mensagem não tinha relevância para suas funções.

Gonet descreve Ciro como advogado e empresário apresentado a ele em eventos e ambientes ligados a autoridades brasileiras. O advogado é primo de Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, e, conforme o relato, mantinha proximidade com o senador Otto Alencar e com Pedro Maia, atual procurador-geral de Justiça da Bahia.

Na ligação de 15 de março de 2025, Ciro informou que o Banco Master estava prestes a concluir a aquisição do BRB. Gonet afirma que deu os parabéns por gentileza e que desconhecia o quadro real das negociações.

Investigação e tramitação no STF

O procurador afirma que recebeu, em 15 de julho de 2025, ao lado de seu chefe de gabinete, Ubiratan Cazetta, o presidente do Banco Central. Na ocasião, foram relatados indícios de crime contra o sistema financeiro em operações de cessão de crédito adquiridas pelo Master de terceiro e depois cedidas ao BRB.

Gonet sustenta que não houve interferência nas apurações nem obtenção de informações sigilosas. Ele cita o procurador da República Gabriel Pimenta Alves para afirmar que sua atuação foi de apoio institucional, sem participação nas medidas investigativas ou conhecimento prévio das providências adotadas.

A investigação foi transferida para o Supremo Tribunal Federal, a pedido da defesa, em 28 de novembro de 2025, na Reclamação 88.121, distribuída ao ministro Dias Toffoli. Em 3 de dezembro, Toffoli determinou que os fatos relacionados ao Banco Master e ao BRB passassem a tramitar diretamente no STF.

A partir disso, Gonet diz ter designado uma equipe específica para conduzir o caso e concentrado o trabalho na preservação das provas, no contato com a Polícia Federal, na celeridade da tramitação e na prevenção de nulidades processuais. Ele também afirma ter se manifestado pela manutenção da prisão de Vorcaro após a decretação da medida cautelar e o referendo da Segunda Turma do STF.

Representação e colaboração premiada

A manifestação, de 37 páginas, responde a uma representação do partido Novo que questiona o impedimento de Gonet no caso Master. O Conselho Superior do MPF deverá apreciar o processo no próximo dia 25. Os conselheiros poderão reconhecer indícios de crime e designar um subprocurador-geral da República para investigar o procurador ou concluir pela inexistência de evidências de crime comum e arquivar o caso.

Gonet também descreve as negociações de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro. Segundo ele, a responsabilidade criminal do banqueiro deveria ser expressamente assumida, os relatos precisariam trazer informações novas e haveria necessidade de elementos de corroboração sérios.

A Procuradoria-Geral da República recusou duas propostas de colaboração envolvendo Vorcaro e firmou outras duas, submetidas à homologação do Supremo Tribunal Federal. O procurador afirma que os acordos deveriam incluir a revelação dos fatos criminosos conhecidos, a identificação dos envolvidos e a recuperação de ativos destinados à indenização dos prejuízos.

Ao final, Gonet sustenta que a documentação policial com as transcrições de diálogos com Ciro Soares e Vorcaro não lhe atribui crime. Ele afirma ainda que sua atuação nos procedimentos do Banco Master ocorreu sem interferência indevida e com o objetivo de preservar o andamento das investigações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5