O ex-presidente Michel Temer afirmou que aconselhou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a buscar diálogo com André Mendonça para reduzir a crise interna da Corte. A conversa ocorreu antes de Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Temer disse que o conflito envolvendo o STF é grave e defendeu uma solução negociada entre os ministros. “O ideal seria dialogarem lá, todos eles, e chegarem a uma composição”, declarou. Para o ex-presidente, uma decisão litigiosa do Supremo teria efeito negativo para o país.
Afastamentos ampliaram impasse
Temer afirmou que não conversou com Mendonça e avaliou que a decisão sobre os dirigentes da Polícia Federal tornou mais difícil a busca por um acordo. “Eu reconheço que complicou bastante”, disse. Ele também declarou esperar que os integrantes do STF encontrem uma solução de harmonia interna.
O ex-presidente indicou Moraes para uma cadeira no Supremo no início de 2017, após a morte de Teori Zavascki em um acidente aéreo. Naquele momento, Moraes ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.
A crise entre os ministros se intensificou após a divulgação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes. No mesmo contexto, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que registrava a troca de mensagens.
O documento também mencionou a aproximação de Vorcaro com Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues. Depois, Moraes acusou Mendonça de interferir na condução das investigações da PF, participar irregularmente de tratativas de colaboração premiada e direcionar alvos para favorecer interesses políticos.
Moraes acrescentou Mendonça ao Inquérito das Fake News e encaminhou um pedido de investigação a Edson Fachin, presidente do STF. O relatório usado por Moraes foi considerado sem valor probatório.







