O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que recebeu alertas sobre possíveis retaliações depois de divulgar dados da Polícia Federal (PF) relacionados às relações de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele disse que não mudará sua conduta nos autos e que não tem nada a temer.
Mendonça recorreu à filosofia de Arthur Schopenhauer para contestar as críticas. Segundo o ministro, os ataques pessoais seguem um padrão usado em debates quando faltam argumentos técnicos. “Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo de forma injusta, ofensiva e insultante”.
Ao relatar que havia sido advertido sobre as consequências de levar adiante as informações recebidas da PF, Mendonça afirmou: “Fui advertido de forma implícita e explícita de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim”.
O ministro declarou que as pressões não alterarão sua atuação. Ele afirmou que seguirá cumprindo o dever no processo com serenidade e responsabilidade.
A tensão entre ministros do STF aumentou nos últimos dias e envolve, segundo o relato, integrantes do grupo aliado a Alexandre de Moraes, entre eles Gilmar Mendes e Flávio Dino. O conflito chegou ao plenário no dia 15, quando houve troca de acusações e gritos durante uma sessão sobre a abertura de investigação contra Moraes.
Nesta quinta-feira, 17, Gilmar Mendes publicou no X uma mensagem em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado no relatório da PF, e dirigiu insultos a Mendonça. O decano do STF já chamou o colega de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Também comparou sua atuação à do ex-procurador Deltan Dallagnol e do ex-juiz Sergio Moro, a quem atribuiu o uso do “vazamento seletivo” como método.







